Sustentabilidade digital é chave para resiliência econômica, aponta estudo da NTT DATA
Entre as tecnologias mais promissoras estão os sensores de IoT para monitoramentos, a inteligência artificial para análise e prevenção e o blockchain para rastreamento e transparência
A conexão entre sustentabilidade e tecnologia avança não apenas como suporte ao equilíbrio ecológico, mas como um caminho estratégico para garantir a resiliência dos negócios frente às novas demandas dos consumidores e regulamentações do mercado. Essa é a premissa central de uma das cinco tendências tecnológicas destacadas no estudo Technology Foresight 2025, da NTT DATA.
A pesquisa global, que analisou o impacto das transformações tecnológicas em diversas áreas de negócios, aponta que a sustentabilidade digital para a resiliência econômica será um dos principais diferenciais competitivos nos próximos anos. “As empresas que conseguirem integrar esse elemento ao core business por meio de tecnologias avançadas terão mais capacidade de adaptação, eficiência e, consequentemente, perenidade”, diz Roberto Celestino, CSO da NTT DATA.
Segundo o relatório, a sustentabilidade digital refere-se à integração da gestão ambiental ao crescimento econômico, promovendo cadeias de valor mais produtivas e circulares. Dados revelam que as empresas que vêm trabalhando nesse sentido observam um aumento de até 20% na eficiência, além de reduções significativas nos custos operacionais. “Não se trata apenas de reduzir emissões, mas de redesenhar sistemas produtivos, logísticos e energéticos com base em dados e inteligência digital”, afirma Celestino.
Tecnologia como aliada da transformação
Um conjunto robusto de inovações será responsável por suportar essa transformação no mercado. O estudo estima que o mercado de software de gestão de energia deve crescer de US$ 48,68 bilhões em 2024 para US$ 241,56 bilhões até 2037. Entre as tecnologias mais promissoras estão os sensores de IoT, que monitoram as condições ambientais em tempo real; a IA, capaz de analisar dados para prever riscos climáticos; e o blockchain, que permite o rastreamento seguro e transparente de bens e recursos em todas as cadeias de suprimentos.
“Um exemplo é a aplicação de IA e IoT em sistemas de logística reversa, promovendo uma cadeia de consumo mais circular, com reutilização e reaproveitamento de materiais. Ou ainda projetos de data centers com consumo energético otimizado e uso de energia limpa”, explica o CSO da NTT DATA.
Também têm destaque no estudo da NTT DATA os gêmeos digitais, que simulam processos e estruturas físicas para otimizar o uso de recursos. No caso de sistemas de energia, a tecnologia é capaz de criar representações virtuais para monitorar o desempenho, prever falhas e simular melhorias a fim de aprimorar a eficiência e a sustentabilidade, e ainda pode ir mais além. “No design urbano, os gêmeos digitais permitem criar modelos virtuais de cidades para simular o desenvolvimento da infraestrutura, o crescimento populacional e os impactos ambientais”, diz o executivo.
Celestino ressalta ainda a capacidade de integração dos gêmeos digitais a outras tecnologias avançadas, como o IOWN (Innovative Optical and Wireless Network), uma infraestrutura de comunicação inovadora desenvolvida pela NTT DATA que aproveita a tecnologia fotônica para oferecer consumo de energia ultrabaixo, com grande capacidade e latência quase zero. “Com o IOWN, oferecemos insights em tempo real que permitem uma gestão de recursos mais inteligente e eficiente.”
Adaptação estratégica e visão de futuro
Esse avanço pode ser visto na prática em um projeto implementado pela NTT DATA em Las Vegas, nos Estados Unidos. Reconhecida pelo turismo e crescimento acelerado, a cidade enfrentava desafios relacionados ao aumento do consumo de energia, a congestionamentos e a metas ambientais. Para equilibrar desenvolvimento com sustentabilidade, Las Vegas firmou uma parceria com a NTT DATA para construir uma infraestrutura inteligente baseada em IoT, edge computing e inteligência artificial.
A plataforma conecta ativos urbanos — como sistemas de tráfego, iluminação e estacionamento — a uma rede inteligente que permite o monitoramento em tempo real e a gestão dos recursos. Com resultados expressivos, como maior eficiência energética, redução de custos e melhoria da qualidade de vida, a cidade se tornou referência global em urbanismo sustentável e inteligente. “O modelo, escalável, pode inspirar outras metrópoles que buscam transformar seus sistemas urbanos com foco em sustentabilidade e inovação”, destaca Celestino.
Apesar dos avanços, a tendência de sustentabilidade digital ainda enfrenta alguns desafios, como o alto custo de implementação, a baixa maturidade tecnológica das empresas e barreiras regulatórias. “A consolidação da sustentabilidade digital ainda exige uma mudança de mentalidade e atuação estratégica, mas a tendência é que a visão ESG se fortaleça como um pilar estratégico em todos os setores da economia”, diz Celestino.









