Estudo da NTT DATA projeta salto de produtividade com humanos aprimorados por tecnologias
Tendência aponta como a ampliação das capacidades humanas vai transformar a força de trabalho, exigindo mudanças nas estratégias corporativas
A colaboração entre humanos e inteligência artificial (IA) não pertence mais à ficção científica e já está transformando as pessoas e as formas de trabalho, realidade essa que tende a acelerar nos próximos anos. Esse é um dos destaques mapeados pelo Technology Foresight 2025, estudo global da NTT DATA que identificou as tecnologias de maior impacto para os negócios do futuro.
A tendência chamada de Humanos Aprimorados prevê um ambiente de trabalho em que as capacidades humanas serão expandidas por meio de tecnologias inteligentes, e não substituídas por elas. Segundo o estudo, com ferramentas como assistentes digitais, IA generativa (GenAI) e modelos de linguagem multimodal, as empresas não só vão melhorar a produtividade, como também a qualidade, a eficiência e a tomada de decisão.
“Muito além da automação de tarefas e otimização de processos, essa tendência prevê uma colaboração mais sinérgica e integrada entre o humano e a máquina, atuando como uma extensão do potencial humano na resolução de problemas complexos, na criatividade e na inovação nas organizações", afirma Daniela Griecco, diretora de Data & Analytics da NTT DATA.
Revolução no trabalho
De acordo com dados do estudo, hoje mais de 75% das organizações já adotam a GenAI, e cerca de 43% dos líderes de tecnologia estão alocando orçamentos significativos para iniciativas nessa área. Os benefícios também começam a ser quantificados: essa ferramenta pode reduzir em 40% os erros de codificação, melhorar a qualidade de softwares em 25% e gerar economias de custo de 25%.
Os modelos de linguagem de grande escala (LLMs) estão entre os principais propulsores dessa tendência, suportando entradas multimodais, conversas em tempo real e até detecção de emoções. Os avatares de IA, por sua vez, estão avançando em realismo e interatividade, possibilitando aplicações inovadoras em atendimento ao cliente, entretenimento e saúde.
Na prática, isso se traduz em assistentes digitais capazes de apoiar e melhorar diversas áreas. No setor automotivo, por exemplo, agentes de IA podem atuar como concierges pessoais, entendendo preferências e oferecendo sugestões úteis, o que aumenta o valor percebido do veículo e ajuda as montadoras a venderem mais. No setor de serviços, a IA pode operar como um assistente de lojas, dando instruções em tempo real, com melhorias automáticas nos processos, tornando tanto a produção mais eficiente quanto os colaboradores mais produtivos. "O uso dessas ferramentas aprimora, inclusive, a qualidade das entregas no trabalho permite análises mais profundas e o uso do pensamento crítico”, diz Cláudia Akemi Umemura, diretora de Talent & Transformation da NTT DATA.
Além da produtividade
Os desdobramentos da tendência impactam diretamente o core business das organizações, com ganhos que vão muito além da produtividade. Segundo o estudo, empresas que já têm uma cultura aberta ao uso da IA têm conseguido elevar a qualidade dos produtos e serviços, reduzir custos e acelerar a inovação.
Contudo, as corporações ainda enfrentam desafios. Do lado dos profissionais, há um gargalo de habilidades e uma mistura de sentimentos entre abraçar a IA Generativa e o receio de se tornar redundante ou ser visto como menos competente, como explica Umemura: “Esses são alguns dos principais obstácuos à uma maior adoção da IA. As organizações mais avançadas no tema têm investido fortemente em estratégias de upskilling e reskilling dos seus colaboradores, além de trabalhar nos fatores culturais e na liderança, criando um ambiente propício para que as pessoas possam abraçar o novo”.
Já do lado da inovação, o avanço ainda enfrenta desafios práticos e estruturais, como aponta Griecco: “Um deles é o nível de maturidade, já que muitas empresas ainda estão na fase de digitalização básica e com ausência de uma cultura orientada a tecnologia”, diz. “O campo da ética e da regulamentação também está em amadurecimento e, por fim, ainda existe um ceticismo generalizado em relação ao ROI de projetos de humanos aprimorados”.
Para superar esses gargalos, o estudo da NTT DATA sugere que é preciso ir muito além da implementação da IA. As empresas precisam reavaliar a forma como o trabalho é desenvolvido e redesenhar os processos para que passem a ser ao mesmo tempo mais automatizados e colaborativos. "A tecnologia sozinha não transforma nada, a mudança vem quando temos uma liderança engajada, capaz de identificar os melhores casos de uso, orientar times e garantir espaços para que as pessoas aprendam e se desenvolvam com a IA", afirma Umemura. Griecco complementa: "É uma transformação estrutural, que envolve pessoas, processos e cultura organizacional. As empresas que conseguirem evoluir esses pilares com mais agilidade e responsabilidade terão uma vantagem competitiva significativa nos próximos anos."









