Mercado financeiro busca alternativas para transformar agências
Compartilhamento de espaços e novos modelos de gestão estão sendo implantados no Brasil tanto em bancos nativos digitais quanto em outras instituições
Em todo o mundo, as instituições financeiras estão inseridas na agenda de transformação digital — o que vem tornando as agências bancárias em canais de experiência com o cliente. Uma pesquisa da Deloitte com quase 20 mil correntistas de 17 países mostra que a maioria dos que vivem em locais em desenvolvimento prefere as agências tanto para produtos simples, como abrir uma conta, quanto para os complexos, como empréstimos. O fato é que as pessoas querem ter liberdade para acessar agências independentemente da instituição com que se relacionam, porque o transacional está cada vez mais automatizado. E uma agência bancária de qualquer bandeira pode ser uma porta de entrada para um caixa eletrônico do Banco24Horas, por exemplo, que dá acesso a mais de 150 instituições.
Essa já é a realidade em países da Europa, Ásia ou mesmo de nossa vizinha Argentina — e tudo caminha para que seja, também, aqui no Brasil.
A CHAVE DA MUDANÇA
Para entender esse movimento, vale a pena voltar um pouco no tempo. “A rede de autoatendimento dos bancos no Brasil exige uma grande complexidade de gestão de custos pelos desafios logísticos, de conexão e até mesmo de segurança. A criação de uma rede independente como o Banco24Horas tinha justamente a função de compartilhar os custos, para aumentar a eficiência de todo o ecossistema. Uma forma de oferecer escala unindo diferentes instituições em um único ativo”, diz Vitor Chiavelli, diretor comercial da TecBan.
Esse, aliás, é um dos fatores que explica a diferente evolução do mercado brasileiro em relação ao restante do mundo: enquanto um terminal de autoatendimento nos Estados Unidos, por exemplo, pode ser um equipamento leve e de custo em torno de US$ 3 mil, aqui no Brasil ele precisa ser altamente reforçado e dotado de inúmeros dispositivos de segurança, chegando a custar US$ 50 mil. Mas mudanças profundas vêm ocorrendo nesse cenário, transformando o caixa eletrônico em um ponto de relacionamento com clientes e não apenas para transações financeiras e saques de dinheiro.
Apesar de o Banco24Horas ser uma iniciativa liderada pelos cinco principais bancos do Brasil, a rede se transformou em um atendimento complementar às agências bancárias de centenas de instituições, inclusive as digitais e fintechs. O posicionamento em supermercados, shoppings, postos de combustíveis, inserido na jornada dos clientes, permitiu que as instituições repensassem sua estratégia de agências, para torná-las ainda mais eficientes e transformar cada uma em um ponto de relacionamento e geração de negócios, transferindo o transacional para os caixas eletrônicos compartilhados, o que reduz custos para o sistema financeiro. A TecBan já é responsável pela gestão de cerca de 30 mil caixas eletrônicos, somando os equipamentos do Banco24Horas e das instituições parceiras que transferiram a gestão de seus caixas para a companhia.
“Com o aumento da competitividade entre as instituições e surgimento de novos players, fintechs e carteiras digitais, as transações ficaram descentralizadas, e a escala, que tem o poder de reduzir o custo unitário das transações, está distribuída. Fica cada vez mais interessante delegar essa gestão tanto de agências quanto de caixas eletrônicos para empresas que conseguem compartilhar o custo e tornar a relação mais variável e eficiente”, explica Chiavelli.
Enquanto isso, os bancos digitais e outras fintechs que precisam oferecer pontos de contato físicos para seus clientes e que não têm uma rede própria estruturada já entram mais naturalmente em um modelo de rede compartilhada.
A TRANSIÇÃO
Essa mudança, é claro, não acontece de uma hora para outra. E, por isso, a TecBan prevê diversos estágios e diferentes modelos de gestão do autoatendimento a serem adotados pelas instituições financeiras. Aquela que deseja manter a sua marca presente e oferecer jornada e atendimento exclusivos aos seus clientes pode contar com uma forma de reduzir seus custos delegando a gestão de suas agências e caixas eletrônicos.
“Nesse caso, a TecBan assume desde a propriedade dos equipamentos até toda a monitoração, a segurança, o abastecimento e a manutenção. Toda a gestão se junta ao que já fazemos para o Banco24Horas e para outros bancos, permitindo reduzir o custo unitário”, afirma Chiavelli.
Outro caminho é ter o Banco24Horas dentro da sala de autoatendimento do banco, um modelo que já começa a existir também no Brasil. “Com isso, a instituição financeira pode diluir o seu custo com os clientes de todos os bancos”, avalia o diretor comercial. Seria uma situação como a descrita no começo deste texto.
E há os caminhos intermediários, mistos. “Um banco pode entender que, em determinada localidade, pode adotar o Banco24Horas, mas que, em outra, é mais interessante manter a marca e a exclusividade como um diferencial competitivo específico daquela região”, exemplifica Chiavelli. Ou, ainda, é possível adotar um modelo híbrido, de acordo com a natureza da operação.
“Uma transação eletrônica pode custar cerca de 50 vezes menos que uma transação que envolve dinheiro físico, por exemplo”, estima o especialista. Assim, um banco pode delegar a gestão de todo o parque que envolve numerário físico, reduzindo significativamente seus custos, mas preservar os terminais que realizam exclusivamente ações digitais.









