Gerenciamento de riscos avança entre mineradoras
Setor passa a contar com um guia e um comitê com diretrizes para a gestão da segurança de processos, facilitando a adesão a padrões de excelência internacionais
O gerenciamento de risco nas atividades de mineração faz parte da estratégia das empresas. As donas das maiores barragens do Brasil assumiram o compromisso com padrões mais rígidos de segurança, por meio da adesão ao Global Industry Standard in Tailings Management (GISTM), ou Padrão Global da Indústria em Gerenciamento de Barragens. As demais têm programas em execução, mas ainda não fazem parte do compromisso.
Rigoroso, o GISTM conta com 77 requisitos para a gestão segura de barragens de rejeitos existentes e novos projetos, aponta estudo divulgado em junho pela KPMG. O comprometimento das companhias com a pauta deve ganhar um estímulo adicional: o Projeto de Lei (PL) n° 1303, de 2019, que já foi discutido no Senado e encaminhado à Câmara de Deputados. O texto exige que as atividades mineradoras tenham projeto de gerenciamento de risco de acidentes ambientais.
Para Anderson Santos, gerente executivo do Ibram, e Franklin Veloso, head de Gestão de Riscos Corporativos de Norsk Hydro Brasil, coordenadores do Comitê de Riscos da Mineração do Brasil, o setor já se antecipou as melhores práticas internacionais de forma prévia. Segundo os executivos, o mais provável é que a aprovação do PL venha a acelerar a adoção dessa prática pelas pequenas e médias mineradoras.
Guia traz grandes temas
Do lado das mineradoras, o tema tem ganhado cada vez mais espaço. Em maio, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) publicou o documento “Diretrizes para Gerenciamento de Segurança de Processos na Mineração do Brasil”.
O guia técnico, elaborado pelo Comitê de Gerenciamento de Segurança de Processos do Ibram, traz as diretrizes para o gerenciamento de segurança de processos na mineração, alinhadas ao progresso da atividade, facilitando a adoção de padrões de excelência internacionais. O material deve apoiar principalmente as pequenas mineradoras, que poderão incorporar práticas que as grandes mineradoras já têm utilizado hoje em dia no Brasil.
O conteúdo aborda 12 elementos, agrupados em cinco eixos temáticos atrelados à segurança de processos, segundo suas características básicas e interação com outros elementos do sistema, a partir de exemplos práticos das operações típicas da mineração.
Os eixos temáticos são tecnologia; operações; instalações; equipamentos e estruturas; pessoas; e liderança. O guia atende a diferentes níveis hierárquicos – CEOs, diretores, gerentes, engenheiros, supervisores, operadores ou profissionais de segurança – ligados à atividade mineral e ao beneficiamento.
Segundo Santos e Veloso, no mundo todo, e especialmente no Brasil, as organizações têm lidado com desafios cada vez mais complexos, seja em questões ambientais, regulatórias, sociais, de segurança cibernética e outras categorias.
O setor mineral, explicam, tem tratado com prioridade e responsabilidade a gestão de riscos, com o aumento nos últimos anos de investimentos, tanto em infraestrutura quanto em pessoas, no quesito gerenciamento de riscos.
Análise simplificada
Diretor de Assuntos Associativos e Mudança de Clima do Ibram, Alexandre Mello destaca que atualmente grandes empresas usam a estratégia de gestão integrada de riscos para uma gestão de forma holística e integrada, “quebrando os famosos ‘silos’ que existem sobretudo nas grandes organizações.”
Ainda como detalha o diretor do Ibram, a estratégia procura identificar e eliminar avaliações complexas e desnecessárias ao simplificar a análise de riscos e os controles necessários, evitando possíveis crises futuras.
“A mineração não poderia ficar de fora dessa transformação como um dos principais setores da economia, como um dos principais setores quando se fala de inovação”, pontua Mello.
O executivo cita que cada vez mais mineradoras utilizam essa estratégia para definir seus principais riscos e discutir soluções mais precisas, com a melhora dos resultados e a redução da possibilidade de crises.
Trabalho integrado
Em processos importantes como o gerenciamento de riscos, o engajamento dos colaboradores de todos os níveis hierárquicos é imprescindível. Isso porque, segundo Mello, a oportunidade de avaliação de ameaças e de discussão de soluções existe em todas as áreas da empresa. O objetivo é analisar as informações, desenvolver e implementar modelos mais eficientes.
Nesse contexto, com a iniciativa de desenvolver um guia, o Ibram se posiciona como principal catalizador das necessidades do setor, exercendo um papel relevante e de destaque que tende a crescer ainda mais com o recém-criado Comitê de Riscos da Mineração do Brasil.
Até o momento, de acordo com Veloso e Santos, o Comitê fez reuniões e pesquisas com as mineradoras sobre os principais desafios relacionados ao tema, além de realizar um mapeamento dos maiores riscos com o objetivo de elaborar um plano gestão de riscos integrado do setor para apoiar as empresas.
“Com ações como a criação do comitê e o guia, estamos colocando à disposição das empresas ferramentas para mudar a cultura empresarial e a gestão de negócio do setor, ajudando as mineradoras na direção da excelência mundial na gestão de seus negócios”, diz Raul Jungmann, presidente do Ibram.









