'Este é um dos mais importantes capítulos da história da nossa transição energética', diz presidente da Be8
Para Erasmo Carlos Battistella, avanços das políticas públicas no Executivo e no Legislativo tornaram essa uma pauta nacional, que uniu indústria, agronegócio, entidades do meio ambiente e sociedade civil
“O ano de 2024 marcou um dos mais importantes capítulos da história da transição energética do Brasil”, exalta Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, empresa líder em produção de biodiesel no Brasil. Ele faz referência à sanção do programa Combustível do Futuro, em outubro, reconhecido como um divisor de águas para impulsionar o biodiesel, o etanol e novas rotas tecnológicas como diesel verde (HVO), combustível sustentável de aviação (SAF) e o biometano.
Em paralelo, a aprovação do Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten), do Mover, voltado para apoiar a descarbonização dos veículos brasileiros, o desenvolvimento tecnológico e a competitividade global, do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV) e do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC) compõe esse pano de fundo para a construção de uma mobilidade limpa e sustentável. “Observamos no último ano um movimento que uniu indústria, agronegócio, entidades do meio ambiente e sociedade civil e se refletiu na aprovação unânime de políticas públicas para projetos de transição energética, essa que é uma verdadeira pauta nacional”, disse Battistella.
O presidente da Be8 também é um dos protagonistas das páginas dessa história, há 20 anos na trajetória da construção da indústria de biocombustíveis. “Este é um novo momento da economia nacional, caracterizado por fortes investimentos no parque industrial e pela agregação de valor ao agronegócio, impulsionando a economia e o emprego verde. O setor privado está avançando para tornar a transição energética uma realidade e fazer do Brasil uma referência internacional”, detalha.
Investimentos
Antes mesmo da sanção do Combustível do Futuro, já era possível reconhecer sinais concretos de um movimento do setor produtivo em busca da transição energética no país. Em 2024, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou R$ 4,2 bilhões para indústrias de etanol, biodiesel e biometano até novembro – considerada a maior cifra dos últimos 13 anos. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em nota técnica, estima mais de R$ 1 trilhão em aportes de investimentos até 2034 em várias rotas tecnológicas.
Os marcos regulatórios definidos no Combustível do Futuro conferem segurança jurídica e previsibilidade ao setor produtivo e será o pilar para a retomada da confiança no mercado energético brasileiro. A própria EPE lançou a projeção de que o setor de biodiesel vai investir R$ 14,5 bilhões nos próximos dez anos.
A decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de aumentar o mandato do biodiesel de 12% para 14% em março de 2024 e para 15% em março de 2025 também indicou a retomada dos compromissos públicos com o processo de descarbonização e com as metas definidas no Acordo de Paris, com impacto direto para o reaquecimento dessa indústria, que tropeçou nos anos anteriores com o retrocesso da evolução da mistura.
Lançamentos importantes
A agenda da Be8 esteve repleta de novidades em 2024, como investimentos e lançamentos de produtos marcados pela inovação. Battistella destaca que a companhia fechou o ano anunciando a aquisição da Biopar, o que permitirá à empresa expandir a atuação para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. E ainda lançou um biocombustível que substitui em 100% o diesel fóssil, o Be8 BeVant, uma inovação tecnológica que permite às empresas reduzirem sensivelmente as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em suas operações no curto prazo, cumprindo as metas de descarbonização.
Outra novidade envolveu o agronegócio. O grupo empresarial de Battistella inaugurou um modelo de produção agrícola sustentável em Passo Fundo (RS), que integra tecnologias de ponta com o uso exclusivo de biocombustíveis, a Fazenda Compostela. Uma parceria com a John Deere e a SLC Máquinas permite que o maquinário do campo seja abastecido exclusivamente com o Be8 BeVant.
Em agosto, a empresa anunciou o início das obras de um novo parque fabril, em Passo Fundo, que integrará a produção de energia, o etanol à base de cereais, com a de glúten vital e de farelo para ração animal. “São muitas iniciativas que se somam a um movimento construído com os pilares de políticas públicas, que, cada vez mais, tornam o Brasil uma referência em transição energética”, destaca Battistella, que também é conselheiro convidado e membro do Grupo de Trabalho Transição Energética do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão do governo federal.
Nova Indústria Brasil
Na última reunião nesse fórum, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou a missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB). O plano pretende aumentar o uso de biocombustíveis e veículos elétricos na matriz energética de transporte em 27% até 2026 e alcançar 59% até 2033.
Para intensificar o uso tecnológico e sustentável da biodiversidade brasileira, as metas de crescimento são de 10% até 2026 e de 30% até 2033. Os investimentos públicos e privados voltados à otimização da eficiência energética serão de R$ 468,38 bilhões. Desses recursos, R$ 88,3 bilhões serão provenientes de linhas de crédito públicas para fomentar projetos de inovação, exportação e produtividade. Até o momento, R$ 74,1 bilhões já foram contratados entre 2023 e 2024, enquanto os R$ 14,2 bilhões restantes estarão disponíveis para os anos de 2025 e 2026.
Outra peça a compor esse roteiro foi o Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten) – aprovado em dezembro pela Câmara dos Deputados –, que criou o Fundo Verde. Gerido pelo BNDES, o fundo será abastecido por créditos tributários detidos por empresas junto ao governo. O primeiro formato permite a transação tributária, ou seja, a negociação de dívidas fiscais com a União condicionada ao compromisso de realizar investimentos em projetos sustentáveis, os quais terão benefícios adicionais. A outra é usar o Fundo Verde como um mecanismo de garantia para cobrir total ou parcialmente o risco dos financiamentos, reduzindo as taxas de juros e incentivando projetos de sustentabilidade em larga escala.
“Entre tantos sinais apontados no Brasil para o horizonte do ano novo, a consolidação dos pilares da transição energética foi o mais evidente”, explica Battistella. “Acredito que poderemos assistir a uma rápida resposta do setor produtivo, com investimentos que vão impulsionar o desenvolvimento sustentável da economia brasileira em benefício das atuais e futuras gerações”, completou.









