Be8 deve suprir demanda nacional de glúten vital em 2026
Nova fábrica, em Passo Fundo (RS), irá processar 525 mil toneladas de cerais por ano e será a primeira a utilizar a mesma matéria-prima para energia limpa e alimento
Obtido a partir da farinha de cereais (trigo), o glúten vital é um concentrado proteico em pó essencial na indústria alimentícia. Como não há produção nacional, todo o ingrediente consumido no Brasil é proveniente de importação. Só em 2023, o país trouxe cerca de 21 mil toneladas do produto. Esse cenário deverá mudar a partir de 2026.
A Be8, empresa gaúcha com presença global no setor de energias renováveis, anunciou o lançamento de um novo parque fabril, em Passo Fundo (RS), que integrará a produção de energia com a de glúten vital e de farelo para ração animal. “O projeto vai redefinir a cadeia produtiva do agronegócio no Brasil por aproveitar a mesma matéria-prima para fins distintos”, afirma o presidente da Be8, Erasmo Carlos Battistella. O parque fabril irá atender simultaneamente aos mercados de biocombustíveis, de alimentos e de nutrição animal.
Um dos objetivos da Be8 é substituir as importações do glúten vital com uma produção de quase 27 mil toneladas anuais, garantindo o abastecimento do mercado interno e, eventualmente, exportando para países do Mercosul, como Argentina, Uruguai, Paraguai, e para o Chile. A companhia impulsionará a produção local de trigo, o que também estabilizará os preços do mercado, beneficiando tanto os produtores rurais quanto as indústrias de alimentos e nutrição animal. “Tanto os produtores de trigo quanto as indústrias de alimentos e de nutrição animal serão beneficiados”, avalia Battistella.
Produção integrada
Pioneira, a integração da produção parte da exploração da mesma matéria-prima para fins distintos. Enquanto as proteínas do trigo serão extraídas para a produção do glúten vital, o amido dos cereais será transformado em etanol. Já o farelo Dry Distillers Grains with Solubles (DDGS) – proveniente do processo de fermentação – será utilizado na produção de ração animal.
A nova usina vai processar 525 mil toneladas de cereais por ano, incluindo trigo e triticale, que é uma variedade de cereal de inverno indicada tanto para alimentação humana quanto animal, fomentando a produção de novas culturas de inverno na região e incentivando os agricultores para novos cultivos nesse período. De acordo com Battistella, a ação engloba ainda o reúso de resíduos e a eliminação do lançamento de efluentes líquidos.
A iniciativa também está no contexto da Política Estadual de Estímulo à Produção de Etanol (PL 292/20), que tem como objetivo reduzir a dependência do Rio Grande do Sul do combustível produzido em outras regiões do país. Em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Be8 recebeu um financiamento de R$ 729,7 milhões para a construção do parque fabril, sendo R$ 500 milhões provenientes do programa BNDES Mais Inovação.
Parcerias estratégicas para inovação genética
A Embrapa-Trigo e a líder latino-americana em melhoramento genético de trigo, Biotrigo Genética, são parceiras estratégicas e estão trabalhando com a Be8 no desenvolvimento de cultivares de triticale e trigo, respectivamente, adaptadas especificamente para a produção de etanol. “Ambas atendem à crescente demanda do mercado por novos produtos alimentícios e de energias renováveis”, explica Battistella.
Com a previsão de operação para 2026, a usina atenderá a cerca de 25% da demanda por etanol no Rio Grande do Sul e irá gerar mais de 800 empregos durante a fase de implantação e cerca de 175 empregos diretos após a conclusão do projeto.
“O projeto da Be8 é uma clara demonstração do compromisso global da empresa com a sustentabilidade e a transição energética ao investir em novas matrizes energéticas por meio de um ecossistema circular de inovação. A produção de etanol a partir de cereais não apenas contribui para a redução das emissões, mas também promove o modelo de crescimento da economia verde no setor industrial, agregando valor em toda a cadeia do agronegócio”, acrescenta Battistella. O executivo destaca que garantir o fornecimento de biocombustíveis e insumos alimentícios de alta qualidade também traz desenvolvimento econômico, social e ambiental ao Brasil.









