Com IA 100% brasileira, WideLabs mira B2B e expansão internacional
Apoiada pelas gigantes Oracle e NVIDIA, tecnologia já impulsiona agentes inteligentes em órgãos públicos e ganha tração no setor privado
Por Transformação nos negócios
Atualizado
A brasileira WideLabs quer se consolidar como protagonista no mercado de inteligência artificial da América Latina com uma proposta de soberania tecnológica. Fundada em 2020, a empresa desenvolveu a Amazônia IA, um modelo robusto, nativo em português e treinado com dados processados no Brasil. Desde então, expandiu seu portfólio e formou um ecossistema de IA generativa voltado à representatividade latino-americana.
A proposta atende a uma demanda crescente por soluções locais em um cenário onde os dados da região representam apenas entre 5% e 15% do treinamento dos modelos globais. A família Amazônia IA reúne modelos como o Guará, voltado à transcrição de áudio com reconhecimento de sotaques regionais; o Harpia, modelo multimodal capaz de analisar imagens e dados médicos; e o Golia, otimizado para velocidade e tarefas como tradução e resumos de texto.
Para o mercado corporativo, a startup lançou a Amazônia IA 360, uma plataforma como serviço (PaaS) que permite que organizações públicas e privadas tenham controle total sobre seus dados e customizem suas próprias IAs, com personalidade e objetivos específicos. Segundo Nelson Leoni, CEO e cofundador da WideLabs, trata-se da primeira plataforma de IA soberana do país. Com recursos avançados de gestão de dados e geração de insights, ela apoia decisões estratégicas e acelera a transformação digital.
A infraestrutura é outro diferencial importante. A WideLabs conta com o apoio da NVIDIA, que fornece GPUs de alto desempenho, e da Oracle, que viabiliza a expansão e o treinamento em larga escala. “A Amazônia IA nasceu na Oracle Cloud Infrastructure [OCI], e seus dados são processados dentro do país, garantindo não apenas mais rapidez, mas, principalmente, o cumprimento dos requisitos de soberania da IA no Brasil, com segurança e privacidade”, explica Leoni. “Os dados ficam em data centers brasileiros com energia limpa.”
Foco B2B e expansão
A estratégia da empresa concentra esforços em setores regulados, como o público, o financeiro e o de saúde, nos quais soberania e segurança de dados são pontos críticos. Um caso emblemático é o do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que desenvolveu, em parceria com a WideLabs, um ecossistema de agentes inteligentes, impactando 8 milhões de cidadãos em 497 municípios.
Entre os agentes que operam na iniciativa estão: a Vera, assistente empática que tem foco no acesso à Justiça, principalmente para populações vulneráveis; a Tori, que apoia procuradores na análise de dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE); e a Aia, voltada ao arquivamento de inquéritos.
A solução despertou interesse de outros órgãos públicos, com possibilidade de expansão para o Judiciário brasileiro e países vizinhos.
Captação via Oracle
Outro pilar de crescimento da WideLabs vem da presença no marketplace da Oracle, que conecta a startup à sua ampla base de clientes. “Metade dos novos clientes chega via Oracle”, diz Leoni.
O CEO também conta que faz diferença estar na OCI. “No Chile, por exemplo, podemos escalar rapidamente, pois a Oracle já tem data center lá. A soberania de dados pode ser replicada em outros países.”









