JBS investe em inovação e circularidade para transformar resíduos em negócios
Projetos de economia circular, energia solar e bioenergia reduzem emissões, melhoram eficiência e incluem produtores na sustentabilidade
A JBS vem transformando processos produtivos em soluções concretas de sustentabilidade incorporadas ao dia a dia. Projetos de economia circular, uso de energia limpa nas granjas e a geração de energia renovável a partir de dejetos de suínos demonstram que é possível conciliar produtividade e eficiência.
Atualmente, a empresa promove iniciativas que auxiliam produtores com restrições ambientais a adaptar suas propriedades, tornando-as mais sustentáveis. Além disso, adapta seus modelos de fornecimento em cada operação para ampliar produtividade e competitividade para quem está na ponta. “Só porque é complexo não precisa ser complicado”, diz Sheila Guebara, diretora de sustentabilidade da Seara, ao explicar o sistema produtivo da empresa.
O projeto Kind Leather, da JBS Couros, aplica princípios da economia circular em toda a cadeia de produção de couro, minimizando desperdícios. Segundo Kim Sena, diretor de sustentabilidade da JBS Couros, ao ajustar os cortes para que o material já saia mais próximo da forma final de uso, o aproveitamento do couro aumenta em média 9%, diminuindo a pegada de carbono em até 12% e inovando ao propor soluções de ecodesign para o couro que têm implicações positivas em toda a cadeia produtiva.
Já o Responsible Tannery Chemistry (RTC) é uma iniciativa capitaneada pela JBS Couros, em parceria com fornecedores da indústria química, que visa trazer clareza pré-competitiva sobre os critérios ambientais usados na seleção de produtos químicos. O programa avalia aspectos como biodegradabilidade, presença de substâncias restritas, carbono biogênico e impacto ambiental geral, garantindo que cada dia seja um passo em direção a um couro de menor impacto ambiental.
Iniciativas Sustentáveis
Na área de fontes limpas, mais de 70% das granjas integradas da Seara já utilizam painéis solares. A geração anual chega a 205 milhões de kWh, volume suficiente para suprir o consumo de uma cidade de cerca de 90 mil habitantes. O uso de painéis fotovoltaicos se espalha por oito estados e o Distrito Federal, com destaque para São Paulo e Santa Catarina, que atendem a mais de 80% de sua demanda energética com fonte solar.
A Seara também avança em tecnologia de bioenergia: produtores de suínos utilizam dejetos animais para gerar eletricidade, convertendo resíduos em energia renovável. Esse sistema reduz emissões de metano, melhora a gestão do manejo de dejetos e reduz a dependência da rede elétrica convencional, transformando subprodutos em valor e sincronizando produtividade, ecologia e eficiência energética no campo.
No modelo integrado da Seara, cada etapa da cadeia é monitorada, permitindo maior desempenho ambiental e aproveitamento de recursos socioambientais. Guebara explica que “sustentabilidade pode ser traduzida como eficiência: fazer mais com menos impactos”. Entre as boas práticas destacam-se o uso de energia renovável, monitoramento da cadeia de grãos, redução da pegada de carbono, a conversão alimentar eficiente e o reúso de água. A empresa mantém parcerias técnicas próximas com os integrados, promovendo melhoria contínua, capacitação e assistência no campo. Segundo a executiva, o desafio é ampliar o acesso de pequenos e médios produtores a tecnologias limpas, garantindo viabilidade econômica sem comprometer o desempenho ecológico.
Na rede pecuária, a autonomia do produtor é maior. A Friboi evolui em sustentabilidade por meio do monitoramento de 100% dos fornecedores diretos nas áreas de risco e vem ampliando o acompanhamento dos indiretos com ferramentas digitais, dados geoespaciais e o uso da plataforma Cowbot, baseada em blockchain, que permite checar as propriedades antes da compra. “Ao identificar individualmente cada fornecedor, é possível checar a aplicação de boas práticas e fortalecer a competitividade da cadeia socioambiental", explica Guebara.
De acordo com Sena, a companhia incentiva boas práticas por meio de assistência técnica, iniciativas de inclusão produtiva e dos Escritórios Verdes, que oferecem suporte a produtores com restrições ambientais para promover regularização, produtividade e retorno ao mercado. “No sistema de monitoramento de fornecedores, precisamos ter uma atualização diária de 100% das propriedades. Auditorias independentes são realizadas anualmente, integradas com sistemas internos. Portanto, existe um sistema robusto de rastreabilidade do gado no Brasil, ainda em evolução, do qual a JBS faz parte da transformação”, afirma Sena, citando como exemplo o programa Boi na Linha, que permite acompanhar a conformidade ambiental dos pecuaristas e fortalecer a sustentabilidade da cadeia bovina.
O segmento de couro enfrenta questões distintas, relacionadas à complexidade da rede global de moda e calçados. Sena o compara a uma “rede neural”: múltiplos fornecedores, diferentes localidades e materiais diversos podem gerar ineficiências. Já a rastreabilidade, desde a origem da matéria-prima até o cliente final, é garantida por tecnologia e parceria com marcas, promovendo transparência e inovação. Para o executivo, o desafio é engajar toda a cadeia global em padrões sustentáveis consistentes e na rotina.
Esse monitoramento permite controlar critérios socioambientais e assegurar a origem responsável da matéria-prima. Além disso, programas de melhoria contínua, capacitação técnica, assistência e incentivos financeiros fortalecem a adoção de boas práticas por todos os elos da cadeia.
Segundo Guebara, a sustentabilidade ideal é aquela que se integra ao cotidiano, tornando-se parte natural da operação. Guebara reforça a importância da padronização global, como acontece na Seara, em que a sustentabilidade permeia todos os pilares do Sistema Integrado de Melhoria (SIM). “Se não temos uma forma padronizada de transferir informações, dar os mesmos nomes às coisas para diferentes empresas, culturas e países, não conseguimos um sistema de rastreabilidade que cumpra seu objetivo final, que é trazer transparência para toda a rede”, comenta.









