Iniciativa da JBS ajuda a destravar acesso de pequenos produtores ao crédito rural
Escritórios Verdes facilitam regularização de terras e apoiam produção sustentável no campo, buscando reinserir fazendas na cadeia
O crédito rural segue como um dos principais motores do agronegócio brasileiro: na safra 2024/2025, os financiamentos superaram R$ 330 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Mas, para os pequenos produtores, o acesso ainda é limitado. Entre os principais entraves está a irregularidade fundiária, que os impede de acessar linhas oficiais.
A JBS realiza o monitoramento socioambiental de 110 mil propriedades desde 2009 e constatou que cerca de 15% delas não foram contempladas por estarem fora das normas legais.
“Diante desse cenário, em 2021, decidimos investir recursos próprios para ajudar a adequar e reinserir as fazendas na cadeia, criando os Escritórios Verdes”, explica a diretora de Sustentabilidade da companhia, Liège Correia e Silva.
O programa conta com 20 unidades físicas localizadas nas plantas da Friboi e, desde 2024, com um escritório virtual. Todos oferecem gratuitamente apoio técnico e consultoria aos interessados em fazer a regularização ambiental de suas terras, sejam fornecedores ou não da empresa.
As equipes técnicas auxiliam na inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR), na elaboração de projetos de reflorestamento para atender o Programa de Regularização Ambiental (PRA) e na adequação de áreas de desmatamento ilegal ou embargos ambientais.
Os Escritórios Verdes também otimizam o processo, diminuindo a espera na fila pela regulamentação, e oferecem apoio à melhoria de produtividade do solo, recuperação de pastagens, consultoria para práticas eficientes, capacitação, ferramentas para melhorar a gestão, entre outras atuações.
Com essa iniciativa, o programa já ajudou a regularizar cerca de 19,7 mil propriedades rurais e destinar à recuperação florestal mais de 8 mil hectares de terra.
Sustentabilidade no agro
Liège destaca a necessidade de fomento para alavancar impulsionar a agenda ESG no campo. “O investimento inicial de crédito para o pequeno produtor é a chave para essa virada. O dinheiro precisa chegar rápido, direto na conta e no bolso. Só assim ele pode dar o primeiro passo para uma produção sustentável.”
Entre os projetos da empresa está o Fundo JBS pela Amazônia, uma estrutura de apoio à regeneração e à sustentabilidade que financia ações que contribuem para o desenvolvimento responsável do maior bioma do país. Em três anos de atuação, foram 21 projetos apoiados, 990 mil hectares conservados ou recuperados, 2,5 mil hectares certificados e R$ 3,8 milhões em crédito liberado.
Outra iniciativa do Fundo JBS foi a assinatura de um contrato de cooperação técnica, junto ao Banco da Amazônia, para aplicação de recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) no Pará. A proposta é proporcionar o financiamento inclusivo a 1,5 mil pequenos produtores para desenvolver uma pecuária sustentável e uma agricultura regenerativa, engajando-os na conservação da floresta.
Para fortalecer a rastreabilidade da cadeia, a JBS desenvolveu a ferramenta Cowbot, que permite a qualquer produtor consultar a situação socioambiental de propriedades em relação a critérios e embargos oficiais. Outra tecnologia é a Plataforma Pecuária Transparente (PPT), portal que disponibiliza informações sobre fornecedores de animais jovens. Até o final do ano passado, 85% foram cadastrados. “Alcançamos mais do que a meta prevista, o que mostra a força de produtores e empresas caminhando juntos”, diz Liège.
Entretanto, a executiva ressalta que a companhia trabalha com 30 mil fornecedores por ano, volume que representa um desafio de capilaridade que exige cooperação. “É preciso união e parcerias para ampliar a atuação. Dar acesso a crédito e olhar para o pequeno é o que vai ajudar o país a perder a imagem de desmatamento associado à produção”, reforça.
Na avaliação da diretora, iniciativas individuais fazem grande diferença, mas ela reforça que é fundamental a cooperação multissetorial e o financiamento inclusivo para destravar o potencial do Brasil como líder global em sustentabilidade agropecuária.
“Tem muito dinheiro na mesa, mas ele não chega à ponta, ao pequeno produtor. Sustentabilidade no campo só fará sentido quando cada um, pequeno ou grande, estiver sentado à mesa. E eu não aceito cadeiras vazias”, conclui Liège.









