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Por JBS

Atualizado

Combinar conhecimento científico, inovação tecnológica e reaproveitamento de recursos é o caminho para uma agricultura regenerativa, que garante estabilidade aos produtores rurais e à indústria alimentícia em meio à crise climática. Esses foram os pontos-chave do painel “Alimentando o próximo bilhão: um modelo para construir sistemas alimentares resilientes ao clima no sul global”, realizado pela JBS em parceria com a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, em Nova York, no último dia 24.

O evento reuniu representantes dos setores de alimentos e agro e pesquisadores para debater soluções que assegurem a produtividade da cadeia de pequenos e grandes produtores que aplicam técnicas sustentáveis. “A monetização dos serviços ecossistêmicos é uma estratégia essencial para transformar a agricultura, tornando-a economicamente viável, bem como ambientalmente responsável”, explicou Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS.

O executivo analisou que há um esforço do setor para seguir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, criados pela Organização das Nações Unidas, mas que os produtores enfrentam obstáculos financeiros para adotar práticas regenerativas devido ao alto custo do capital e tempo para maturação do investimento e risco, já que o mercado não pagaria estruturalmente um preço premium pelas commodities.

“O pagamento por serviços ambientais é a resposta para enfrentar esse desafio e desbloquear o acesso ao crédito. Essa transformação vai garantir não somente um sistema mais resiliente para alimentar uma população crescente, mas também impactará milhões de pessoas ao redor do mundo”, analisou.

Apoio técnico

Para Carolle Alarcon, gerente executiva da Coalizão Brasil, além de financiamento, os produtores precisam de orientação técnica para as práticas de baixo carbono, ao mesmo tempo que têm de aumentar a produção de alimentos e combater a fome. “É um movimento em que a sociedade civil, organizações sem fins lucrativos e corporações podem se unir para impulsionar soluções”, disse, lembrando que o sul global abarca parte das regiões mais vulneráveis às mudanças no clima. “Essa transformação é um empreendimento ambicioso, mas imperativo”, avaliou.

Um dos exemplos de produção sustentável com aumento significativo de faturamento e redução de impacto ambiental analisados no painel foi o da Fazenda Cigana, em Campestre (MG). A propriedade é referência de rentabilidade no Brasil e participante do Fazenda Nota 10 — programa da JBS e Instituto Inttegra voltado para a melhoria da gestão e produtividade nas fazendas.

Na unidade, administrada por Ana Paula da Silva, além de gado de confinamento, há plantações variadas, como batata e milho, e processamento de grãos. Ao assumir o comando, a zootecnista começou a utilizar o adubo gerado pelos animais e os resíduos de cana-de-açúcar, serragem e outros minerais. “Agora, temos o nosso próprio fertilizante, que tem nutrientes únicos porque vem da natureza”, detalhou. Ela também começou a usar painéis de energia solar. “Em um ano, comecei a ver os efeitos das mudanças na fazenda. A conta de luz caiu para 10% do valor anterior. A compostagem também se paga muito rápido”, revelou.

Plantio direto

“A terra é fundamental para a agricultura regenerativa”, frisou Cristine Morgan, chief scientific officer do Soil Health Institute, organização internacional que estuda questões relativas ao solo em atividades agrícolas e trabalha para que produtores adotem práticas sustentáveis. Segundo a especialista, o Brasil está em vantagem porque a adesão ao plantio direto, sistema de manejo que causa menos impacto, é grande no país. “Nos Estados Unidos, apenas cerca de 12% dos agricultores fizeram essa escolha”, apontou a acadêmica.

Morgan afirmou que o tratamento dado ao solo tem um papel crítico na solução dos desafios globais de segurança alimentar, hídrica e energética, e é garantidor da biodiversidade e da mitigação das mudanças climáticas. “A terra não é naturalmente protegida da energia das gotas de chuva. Se a água está se movendo pelo campo e temos erosão, a soja não está crescendo tão bem porque está sendo afogada”, exemplificou.

Também presente no painel, Juliana de Lavor Lopes, diretora de ESG da Amaggi, uma das maiores empresas produtoras de grãos do país, acrescentou que, além da sustentabilidade na lavoura, é preciso reduzir o impacto na distribuição dos produtos. “Nossa frota de caminhões roda com biodiesel produzido por nós, com insumos que compramos de pequenos produtores. E 95% do volume que comercializamos vem desses agricultores”, destacou.

Jason Weller, líder de sustentabilidade da JBS global e mediador do debate, reiterou que o setor de commodities do Brasil ainda é visto como uma indústria extrativista, apesar da expansão de práticas de redução de impacto reconhecidas mundialmente. “Queremos mostrar que a agricultura, não só a brasileira, mas de todo o mundo, pode ser uma indústria restauradora e demonstrar como vamos alimentar um planeta em crescimento atenuando os impactos no clima”, comentou.

O executivo lembrou que o desenvolvimento científico voltado para a indústria agrícola é fundamental para encontrar caminhos de combate à crise climática. “Tanto a ciência social e econômica quanto a exata, a física e a biologia do solo. É o início de uma discussão sobre a importância da agricultura regenerativa como parte da solução e como alimentamos um planeta em crescimento”, disse.

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Pecuarista mineira lidera ranking de rentabilidade e produtividade

Fazenda Cigana integra grupo de propriedades rurais apoiadas pelo Fazenda Nota 10, programa voltado para a melhoria da criação de gado de corte

Ana Paula da Silva é zootecnista e proprietária da Fazenda Cigana. — Foto: Acervo Pessoal
Ana Paula da Silva é zootecnista e proprietária da Fazenda Cigana. — Foto: Acervo Pessoal

Localizada em Campestre (MG), a Fazenda Cigana é um exemplo de como a gestão estratégica e a inovação podem reduzir custos e estimular o crescimento das propriedades rurais. Com 800 hectares e capacidade estática para 1,8 mil cabeças de gado, a Cigana participa ativamente do Programa Fazenda Nota 10 desde sua adesão ao projeto-piloto, em 2018. Atualmente, a fazenda é a líder em rentabilidade dentro do programa, com um faturamento de R$ 6,4 mil por hectare ao ano.

Segundo Ana Paula da Silva, zootecnista e proprietária da Fazenda Cigana, o benchmarking promovido pelo Fazenda Nota 10 foi um diferencial para a transformação da propriedade. “No início, a nossa gestão era desorganizada, mas o programa nos ajudou a profissionalizar a coleta e a análise de dados e agregar mais conhecimento aos nossos processos”, comenta. “A troca de experiências, a comparação de resultados com outras propriedades, a implantação de novas tecnologias e as masterclasses sobre administração e gestão de pessoas mudaram o dia a dia da Cigana e, consequentemente, nos trouxeram mais resultados”, acrescenta.

Os impactos do programa vão além da organização interna. A Fazenda Cigana conquistou uma economia de 15% nos custos totais de aquisição de milho para trato do gado, o que representa uma redução anual em torno de R$ 200 mil. Isso foi alcançado ao substituir a farinha de milho por grãos — uma estratégia simples, mas que trouxe ganhos expressivos na gestão dos insumos.

A fazenda também vem investindo em tecnologias sustentáveis. Silva destaca a instalação de 356 painéis solares para geração de energia renovável, a produção de adubo orgânico a partir de esterco e bagaço de cana e a utilização de eucalipto cultivado internamente para a produção de madeira. “Além do seu impacto no meio ambiente, a sustentabilidade também é sinônimo de retorno financeiro. É um investimento necessário para obter redução de custos e maior rentabilidade em todas as etapas do processo de produção”, ressalta.

Gestão circular

A economia circular aplicada à agropecuária é uma abordagem que tem feito a diferença para que a Fazenda Cigana mantenha uma operação sustentável e financeiramente saudável. Desde o planejamento de compras e a rotação de culturas até a gestão de equipes, todos os processos são analisados e cuidados para sustentar uma performance produtiva.

O foco agora é expandir as iniciativas de gestão circular, em que nada se perde e tudo é reaproveitado. “Utilizamos a combinação de práticas como a utilização de grãos na dieta do gado, a recuperação do solo, parcerias na agricultura, sustentabilidade e uma gestão minuciosa que nos diferencia enquanto negócio. Nossa expectativa agora é dobrar o tamanho da compostagem e integrar ainda mais a produção com os recursos dos nossos vizinhos”, explica Silva.

Para isso, a Fazenda Cigana continuará aproveitando as vantagens do benchmarking promovido pelo Fazenda Nota 10. “O programa nos oferece uma oportunidade única de aprender com os melhores do setor e nos motiva a buscar resultados ainda mais expressivos”, diz Silva.

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Plataforma de gestão apoia avanços na produção pecuária

Programa estimula o aumento da produtividade e da rentabilidade, além de incentivar práticas de baixa emissão de carbono e pecuária regenerativa. — Foto: Getty Images
Programa estimula o aumento da produtividade e da rentabilidade, além de incentivar práticas de baixa emissão de carbono e pecuária regenerativa. — Foto: Getty Images

Desenvolvido pela JBS em parceria com o Instituto de Métricas Agropecuárias Inttegra com o objetivo de melhorar a gestão e aumentar a criação de gado de corte, o Programa Fazenda Nota 10 tem posicionado as propriedades participantes entre as mais produtivas do setor, com um crescimento de 15% de ganho médio diário. Nos últimos sete anos, o programa já envolveu um total de 1.013 fazendas, que, somadas, correspondem a 1,633 milhão de hectares. Atualmente, 468 estão ativas no programa.

A iniciativa se destaca no mercado como um benchmarking importante para os pecuaristas, com metodologia baseada na comparação de indicadores detalhados entre as fazendas atendidas. "Todas as fazendas participantes do programa são apoiadas na construção de uma visão estratégica. Os números de produtividade e de rentabilidade são comparados entre si. Os produtores têm a oportunidade de avaliar o seu resultado em relação ao ano anterior, em comparação com outras fazendas e em referência à sua meta", diz Antônio Chaker, diretor-executivo do Instituto Inttegra e gestor do Programa Fazenda Nota 10.

O programa teve início com uma agenda focada em resultados econômicos e produtivos, mas, ao longo do tempo, evoluiu com a integração de pilares como gestão de pessoas, bem-estar animal e, mais recentemente, sustentabilidade. A orientação dos produtores acontece por meio de masterclasses mensais 100% online com especialistas referência no mercado, que incluem módulos sobre todo o ciclo produtivo, do campo à gestão.

Além de conhecimento técnico, a iniciativa também oferece aos pecuaristas plataforma de aprendizado, materiais de apoio, fórum de discussões e acompanhamento de um analista dedicado a tirar dúvidas e dar orientações sobre os modelos e processos de desenvolvimento. “Percebemos que, além de olhar para produtividade e rentabilidade, era fundamental trabalhar aspectos de liderança e gestão de pessoas. Então passamos a oferecer treinamento com foco também nessas habilidades”, diz Chaker.

Impacto positivo

De acordo com Fábio Dias, diretor de pecuária da Friboi e líder de agricultura regenerativa da JBS Brasil, o diferencial do projeto está na coleta de dados. “O acompanhamento constante permite que os pecuaristas tenham uma visão mais clara da sua gestão, compreendendo suas fazendas como negócios e adotando uma administração mais eficiente”, diz. O trabalho junto ao Inttegra garante que os produtores tenham a confiança necessária para compartilhar seus dados e, assim, possam se beneficiar das análises comparativas.

Segundo Dias, a prova do sucesso da metodologia é o impacto positivo que o Fazenda Nota 10 vem promovendo ao longo dos anos nos negócios das propriedades participantes. Há um crescimento médio de 23% na taxa de lotação (unidade animal por hectare) e uma redução de 9% no desembolso por arroba produzida. A produção média de carne, de 166,8 quilos por hectare, também é mais de duas vezes maior que a média nacional, de 70,05 quilos por hectare. O índice de satisfação dos produtores com o programa ainda é destaque, com mais de 90% de aprovação dos conteúdos e da metodologia aplicada.

A iniciativa também incentiva práticas de baixa emissão de carbono e a pecuária regenerativa a fim de apoiar a construção de sistemas alimentares mais resilientes às mudanças climáticas.

Hoje, o Fazenda Nota 10 abrange todos os estados brasileiros e atende fazendas de diferentes portes. A maior concentração (50%) são propriedades com rebanhos a partir de mil cabeças, enquanto a menor (6%) são fazendas com rebanhos entre 5 mil e 10 mil cabeças, o que contribui para o desenvolvimento econômico e sustentável em diversos cenários da pecuária nacional.

Com planos de aprofundamento contínuo, a expectativa para os próximos anos é que o Fazenda Nota 10 vá além dos resultados financeiros e produtivos. “Os próximos passos serão atender ainda mais fazendas e fortalecer a agenda de sustentabilidade por meio do balanço de emissões de gases de efeito estufa e também de práticas de pecuária regenerativa”, diz Chaker.

Programa Fazenda Nota 10 em números — Foto: Arte/ Glab
Programa Fazenda Nota 10 em números — Foto: Arte/ Glab
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