Diversificação de investimentos no exterior reduz riscos e potencializa resultados
Compor a carteira com ativos de várias categorias e atrelada a diferentes moedas é saber aumentar o patrimônio com mais segurança, avaliam especialistas
Por Investimentos nos EUA
Atualizado
A diversificação é a estratégia ideal para alcançar melhores resultados em um portfólio de investimentos e fundamental para a construção de patrimônio no longo prazo. Hoje, esse movimento demanda a escolha de ativos de diferentes classes, moedas e em geografias variadas para compor um pacote de produtos com potencial de ganhos expressivos, sem correr riscos excessivos.
Nesse contexto, os investimentos no exterior se tornam uma peça-chave para tirar proveito de economias com moedas fortes. E vêm crescendo expressivamente. Segundo dados do Banco Central (BC) do Brasil, em 2023, o aumento foi de 12,5% no volume de aportes fora do país em relação a 2022, atingindo US$ 45,18 bilhões. Entre janeiro e agosto deste ano, os brasileiros alocaram um total de US$ 13,9 bilhões em diferentes ativos no exterior, segundo o BC, volume similar ao do mesmo período em 2023.
Esse movimento é favorecido por questões como o crescimento de economias maduras no longo prazo, a participação de 60% dos Estados Unidos no valor total (market cap) das ações do globo — contra 1% do Brasil — e até mesmo o fato de os norte-americanos alocarem no exterior 30% do total investido, índice que, no Brasil, fica em torno de 2%, segundo Bernardo Queima, CEO da Gama Investimentos.
Além disso, é difícil o investidor acertar quais ativos vão ganhar ou perder valor em curto e médio prazos. Para Rodolfo Olivo, professor da FIA Business School, a diversificação internacional se tornou chave para garantir a redução de riscos.
O destaque é ainda maior para investidores brasileiros. Isso porque mesmo com o tamanho enxuto do mercado local de capitais, relativamente restrito em oportunidades em comparação ao mercado global, no país é particularmente acentuado o chamado “home bias”, tendência a investir mais do que se deveria em mercado local observada em estudos de finanças comportamentais. “Ter 20 ações diferentes em carteira, mas todas de bancos brasileiros, não é diversificar, pois a correlação entre elas é muito alta”, exemplifica o professor.
Embora a alocação seja particular, conforme perfil, objetivos, prazos e recursos, de forma muito genérica, Olivo sugere parcelas de investimento no exterior de 10% a 15% para conservadores e pessoas mais maduras, 15% a 25% para moderados e 25% a 40% para arrojados ou mais jovens.
Opções disponíveis, como contas de investimentos, podem ajudar a reduzir custos como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e obter taxas cambiais mais favoráveis. “Hoje diversas corretoras que operam no Brasil oferecem possibilidade de abrir conta de investimentos nos Estados Unidos, fechar câmbio e fornecer todos os serviços necessários”, detalha Olivo.
O acesso ao investimento internacional facilitado por conteúdo, informação e apoio em português, para o interessado conhecer as opções disponíveis e falar com quem precisa, é a preferência do investidor local. “Os produtos que mais captam têm alguma conexão aqui, como time comercial ou suporte”, diz Bernardo Queima, especialista em investimentos no exterior com R$ 5,5 bilhões sob gestão.
A Gama é uma das empresas dedicadas a facilitar a jornada de brasileiros interessados em aproveitar oportunidades no exterior. Atua como um hub de fundos internacionais independente para tornar os investimentos globais acessíveis por meio de parcerias estraté- gicas com alguns dos principais gestores mun- diais, como Oaktree, Bridgewater, MAN, Acadian, entre outros.
Seu modelo baseado na criação de “fundos espelho” (feeder funds) permite aos investidores nacionais aportarem em um fundo local que, por sua vez, aplica o dinheiro na estratégia original fora do país, com diversas classes de ativos.
O impulso do investimento dos brasileiros rumo ao exterior se estruturou melhor na década passada, com fundos locais multimercados passando a incluir os internacionais em suas estratégias. A questão é que a concentração em um grande “guarda-chuva” Brasil mantém relação direta com elementos como crescimento do PIB, decisões dos diferentes poderes, melhoria de renda, entre outros, tendo como driver principal o quanto a economia do país vai bem.
Hoje, de acordo com Queima, o interessado conta com diferentes caminhos, como o investimento direto via fundo no Brasil ou o envio de dinheiro para fora e aplicações em gestoras especializadas. Embora o foco de investidores no mercado local tenha sido estimulado pela recente alta de juros, o CEO lembra que o comportamento no exterior também está mais favorável nesse sentido.
“Com a nova normalidade de juros mais altos em países desenvolvidos, todas as classes de ativos fazem sentido para os brasileiros. Afinal, o objetivo da diversificação é ganhar dinheiro”, avalia Queima. O cardápio inclui renda fixa e variável, fundos multimercados ou imobiliários, entre outros.
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Autorregulação de fundos aumenta a segurança para quem investe fora do país
A variedade de opções à disposição dos brasileiros interessados em investir no exterior cresceu muito nos últimos anos. Mas, como para qualquer instrumento, a decisão de investimento deve ser precedida de reconhecimento e análise de perfil para assegurar a melhor escolha de acordo com aptidão, momento de vida e objetivos.
A diversificação é uma das pautas reforçadas pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), com inclinação crescente à alocação de parcela do patrimônio em outros países. A questão é que, por envolver cenários, regras e empresas distantes do cotidiano do brasileiro, o movimento exige suporte de informação e educação ainda mais detalhado para subsidiar a decisão de investimento.
As estratégias contemplam desde ativos mais simples até os mais sofisticados. A primeira camada inclui fundos de investimento locais, composto por parcelas de 20% a 100% de ativos estrangeiros — com requisitos de transparência, precificação diária (marcação a mercado) e auditoria —, e papéis emitidos e negociados na B3, como certificados de depósitos referentes a ações (BDRs) de empresas de outros países, títulos de dívida (bonds) de companhias ou governos externos e até mesmo fundos de investimento que replicam a performance de índices de referência (ETFs), de renda fixa ou variável.
O acesso direto do investidor aos ativos no exterior também pode ser feito via broker local. Nesse caso, vale sempre destacar que as empresas guardam diferenças entre si. Um grupo reúne bancos, corretoras e distribuidoras de investimentos regulados pelo Banco Central e pela Co- missão de Valores Mobiliários (CVM), com autorregulação pela Anbima.
Outro grupo reúne empresas que, embora não sejam instituições financeiras no Brasil, fazem acordo para intermediação com corretoras ou distribuidoras locais reguladas pelo BC e pela CVM. Nesse caso, as casas instaladas aqui nem sempre são autorreguladas pela Anbima. Um terceiro grupo engloba instituições financeiras que sequer são brasileiras nem possuem parcerias com corretoras ou distribuidoras reguladas no Brasil — até julho, a CVM já havia alertado para cinco plataformas desse tipo com atuação irregular.
“Na medida em que o investimento no exterior ganha interessados, temos agenda voltada para educação, inclusive da força de vendas, com orientação para o cuidado no entendimento de fatores de risco”, diz Tatiana Itikawa, superintendente de representação de mercados da Anbima.
“A democratização precisa ser acompanhada de melhor entendimento do instrumento e seus riscos”, diz Ricardo José de Almeida, professor de finanças do Insper. Outros cuidados incluem o detalhamento de custos envolvidos e até a atenção com a declaração de Imposto de Renda.









