Contratar serviços de custódia de ações no exterior exige atenção
Instituições operam para simplificar processos de gestão, como o recebimento de dividendos e o exercício de direitos
Por Investimentos nos EUA
Atualizado
O volume de investimentos de brasileiros no exterior aumentou quase 30 vezes nas últimas duas décadas, de acordo com o Banco Central. Em 2003, esse fluxo era de apenas R$ 1,6 bilhão. Em 2023, somou R$ 46 bilhões. Em termos líquidos, as transações saíram de um saldo negativo de US$ 179 milhões para US$ 4,5 bilhões positivos no mesmo período.
Entre 2020 e 2023, quem optou por uma estratégia passiva, seguindo o índice de ações S&P 500, que reúne as maiores empresas americanas, teve melhores resultados do que os que acompanharam o Ibovespa, que inclui em sua carteira as ações mais negociadas da bolsa brasileira. Isso porque, enquanto o Ibovespa valorizou 134,4% no período, o S&P 500 subiu 187,5%. A volatilidade registrada pelo Ibovespa foi de 37,5%, ao passo que a do S&P 500 correspondeu a 15,4%. A bolsa americana, porém, é 46 vezes o tamanho do mercado brasileiro, o que exige que os riscos sejam sempre bem dimensionados.
Nesse universo, a custódia das ações tem um papel crucial. Na prática, trata--se do serviço de guarda, manutenção, atualização e exercício de títulos e ativos negociados no mercado. A custódia permite que os direitos dos títulos adquiridos no mercado externo fiquem depositados em nome dos investidores, sob a responsabilidade do custodiante. Isto é, as instituições trabalham para garantir que os títulos sejam transacionados e guardados de maneira segura.
Os benefícios não param por aí. A custódia de ações proporciona ao investidor a vantagem da segurança dos ativos e a simplificação dos processos de gestão, como o recebimento de dividendos e o exercício de direitos. “Outra vantagem significativa é a diversificação geográfica do portfólio, permitindo ao investidor acessar mercados internacionais e reduzir a exposição a riscos domésticos”, afirma Marcos Medeiros, especialista em investimentos de capital e cofundador da Davila Finance. “Além disso, o uso de serviços de custódia em instituições globais pode oferecer maior proteção contra fraudes e perda de ativos, garantindo que estes estejam registrados e protegidos adequadamente em sistemas internacionais de alta segurança.”
Diferenças
Embora o serviço básico de compra e venda de ações seja similar entre os players do mercado, existem diferenças importantes em várias áreas que podem impactar a experiência do investidor. “Algumas corretoras oferecem suporte em português, outras não”, afirma Robson Casagrande, especialista em mercado de capitais e sócio da GT Capital. “A oferta de produtos também é um fator importante.”
Algumas corretoras disponibilizam uma gama diversificada, incluindo ações, ETFs, opções e futuros, enquanto outras se limitam a produtos mais básicos. Segundo ele, a qualidade da pesquisa e a análise oferecida também podem variar consideravelmente entre os prestadores de serviço de custódia off shore. Algumas corretoras fornecem relatórios de mercado e ferramentas bem mais avançadas que seus pares.
Outro ponto a se considerar, garantem os especialistas, é a barreira de entrada, uma vez que as exigências de investimento mínimo para abrir contas ou realizar ações podem limitar o acesso de alguns investidores. As plataformas de negociação também diferem em termos de interface, facilidade de uso e recursos disponíveis, como gráficos avançados e ferramentas de análises técnicas. “Embora as corretoras ofereçam serviços básicos de maneira similar, as diferenças de atendimento, oferta de produtos, recursos de pesquisa, barreira de entrada e plataformas podem influenciar a escolha do investi- dor”, adverte Casagrande. “É fundamental que os investidores avaliem esses aspectos ao decidir qual corretora utilizar.”
Especialistas observam também que existem diferentes métodos de portabilidade de custódia. O modelo mais comum se dá por meio do ACATS, serviço automático de transferência de conta que equivale ao STVM no Brasil. O investidor preenche um formulário junto à corretora que está recebendo os ativos e automaticamente se inicia o processo de portabilidade na instituição que cederá os ativos. Segundo agentes de mercado, a corretora que recebe os ativos em geral não cobra nada por esse serviço. A cobrança fica a cargo da corretora cedente e pode variar de acordo com a política de cada instituição.
Escolha de parceiro
Ao decidir pela custódia de ações no exterior, o investidor deve escolher a corretora com atenção, observando, entre outros pontos, se há registro nos órgãos reguladores, como a Securities and Exchange Commission (SEC) e a Financial Industry Regulatory Authority (Finra) — que são entidades que supervisionam e regulam o mercado financeiro dos Estados Unidos, o que garante que seguem normas rigorosas de operação —; se a corretora está em conformidade com as regras do país onde atua, adotando práticas de transparência e proteção de dados; se oferece cobertura por perdas em caso de falência da corretora; e se mantém os ativos dos clientes segregados dos próprios fundos, garantindo proteção em caso de problemas financeiros.
“É importante também pesquisar a reputação da corretora no mercado, atentando-se aos comentários de outros investidores sobre suas experiências com a plataforma”, afirma Robson Casagrande. “Considerar esses fatores ajudará o investidor a tomar decisões mais assertivas e seguras em relação à custódia de ações no exterior.”
Para Marcos Medeiros, a infraestrutura tecnológica também é um aspecto importante. “O peso fica ainda maior no contexto de inovação, como observado na plataforma de ativos digitais do BoNY Mellon, que permite a custódia de criptomoedas e outros ativos tokenizados, ampliando as opções de diversificação de portfólios”, afirma.
Os desafios para os investidores que optam pela custódia internacional incluem a necessidade de adaptação a diferentes regulamentações entre países, exigindo mais conhecimento especializado sobre as leis tributárias e financeiras. “A volatilidade cambial pode impactar o valor, e a segurança dos ativos em tempos de crise financeira global também é uma preocupação”, diz Medeiros. “Outro desafio é a falta de padronização nas ofertas de serviços de custódia, o que torna a comparação entre prestadores de serviços mais difícil.”
De acordo com Alexandre Artmann, chefe de operações da Avenue, o custodiante é a ponta final do processo, e, portanto, é essencial que o investidor, na hora de decidir pela custódia, pesquise o local onde os ativos, bonds, ações e dinheiro ficarão custodiados. “É indispensável dar atenção à qualidade dos custodiantes, mesmo com o mercado dos Estados Unidos sendo extremamente regulado, com o regulador garantindo solidez das clearings [câmeras de compensação].” E vai além: “Em alguns momentos, os serviços dos custodiantes variam muito e chegam a limitar os produtos das corretoras”.
O executivo observa ainda que é necessário ficar atento ao uso de intermediários entre broker- dealers (pessoa que compra e vende títulos) e clearings, que pode adicionar custos e impactar a qualidade dos serviços. “Também é preciso analisar quantas camadas de prestação de serviço há no meio do caminho, uma vez que, quanto maior o número, mais altos os custos”, afirma. “O ideal é optar por uma corretora que dê a segurança de que a relação é direta com a clearing, que não há intermediários, e que tenha bons produtos, com preços competitivos.”
Única corretora multi-clearing com uma vasta gama de produtos, a Avenue, segundo Artmann, oferece eficiência operacional com custos baixos. “O cliente tem acesso a produtos diversos e competitivos”, finaliza.









