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Por Ibram

Atualizado

Essencial para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), a transição energética mantém-se no topo das discussões globais sobre as mudanças climáticas. Nos veículos elétricos e híbridos, nas turbinas eólicas e nos painéis solares, a saúde do planeta depende de minerais para avançar. Mas como conjugar o aumento da produção de minérios à eficiência energética das operações?

As mineradoras, como explica Stéfano Angioletti, diretor da Grid Energia e professor da Fundação Dom Cabral, utilizam duas fontes de energia: elétrica (baseada principalmente no abastecimento por hidrelétricas) e óleo diesel. Onde é tecnicamente viável, detalha o especialista, as mineradoras utilizam energia elétrica para extração e beneficiamento do minério. Mas, no caso da extração, boa parte do processo é de transporte por caminhões e equipamentos móveis que consomem óleo diesel.

Por essa razão, as mineradoras buscam reduzir o consumo de energia elétrica e de diesel por meio da otimização e eficiência dos processos de transporte dentro das minas e da cominuição – nome dado à britagem e à moagem do minério,realizadas por equipamentos conhecidos como moinhos e britadores.

projetos — Foto: Arte/GLAB
projetos — Foto: Arte/GLAB

Aposta em P&D

Entre as estratégias para avançar estão os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), programas de incentivo à conservação e melhor uso de energia, aponta Aline Nunes, gerente de Assuntos Minerários do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A especialista destaca exemplos de iniciativas que têm sido priorizadas pelo setor e focados em eficiência energética na mineração. São elas:

Melhoria contínua da eficiência energética.

Otimização das plantas de produção, com a engenharia e reengenharia de processos e equipamentos.

A implantação de sistemas de monitoramento e medição dos desempenhos e consumos energéticos dos equipamentos.

A automação de processos.

Auditorias técnicas em gestão e uso de energia.

As manutenções preditivas e preventivas de equipamentos e sistemas.

As melhoria em vias, reduzindo o consumo de combustível.

Treinamento, capacitação e gestão de mudança cultural.

Elaboração de relatórios de desempenho energético e seu compartilhamento com as diretorias e altas lideranças.

Potencial para avançar

Dados do Atlas da Eficiência Energética do Brasil 2020 mostram que, de 2005 a 2019, o Brasil ficou 14% mais eficiente energeticamente e o setor industrial atingiu uma melhoria de 7%. Já o levantamento da European Enviroment Agency (EEA) aponta que a União Europeia avançou em sua eficiência energética em 10%, entre 2005 e 2016, e o setor industrial chegou a um ganho de 19%.

A comparação mostra que é possível avançar quando se analisa a forma de produção. A Coalition for Eco Efficiency Comminution (CEEC), como cita a gerente de Assuntos Minerários do Ibram, estima que uma melhoria de 5% na eficiência energética em processos de redução de tamanhos dos materiais minerais – (britagem e moagem) – na mineração resultaria em uma redução de 30 milhões de toneladas de CO2 e evitaria o consumo de 0,7kWh por tonelada processada.

“Diante da emergência climática e da urgência na transição para uma economia limpa, a indústria mineral brasileira se empenha em adaptar-se à corrida da transição energética como parte da cadeia de suprimentos de minerais críticos, sem perder de vista a transição para uma economia de baixo carbono, as práticas de ESG e a preservação da Amazônia”, salienta Raul Jungmann, diretor-presidente do Ibram.

Iniciativas na prática

Segundo a gerente do Ibram, a mineração brasileira tem seguido a tendência mundial de transição global para uma economia de baixa emissão de carbono, com o desenvolvimento de soluções já com aplicação sobre seus processos produtivos. “Existem minas operando com uso principalmente de energia elétrica, substituindo caminhões por correias transportadoras, e muitos investimentos em fontes de energia alternativas”, exemplifica Aline.

A modernização dos processos de mineração, os programas de gerenciamento de energia, a adoção de fontes de energia renováveis e a substituição de combustíveis fósseis por alternativas mais limpas, como biocombustíveis, são grandes pontos ligados à transição e à eficiência energética no setor, diminuindo a pegada de carbono da indústria, destaca Isabelle Santos, engenheira da Vale e coordenadora do Grupo Técnico de Energia do Ibram.

“Em todos os processos, o foco está na otimização, que além de corrigir ineficiências, por muitas vezes gera um impacto positivo na redução de custos operacionais com manutenção e consumo de outros insumos, principalmente em circuitos altamente energéticos na mineração, como equipamentos de transporte e cominuição”, explica.

A especialista da Vale destaca o uso de um sistema de armazenamento de energia em baterias, instalado em 2024 no Terminal da Ilha Guaíba (TIG) da Vale, que reduz o custo com energia ao substituir o fornecimento da rede elétrica nos horários de pico, possuindo relevância também na estratégia de eletrificação da companhia.

Além disso, há as iniciativas de otimização de correias transportadoras, britadores e peneiras das usinas de beneficiamento da companhia que, baseadas na alteração das lógicas de acionamento, reduzem os períodos ociosos de operação e, consequentemente, consumo com eletricidade.

Presente e futuro

Hoje, as mineradoras têm diversos projetos inovadores voltados à eficiência – por exemplo, por meio de iniciativas como o Mining Hub em associação com o Ibram. Mas a ênfase, de acordo com Angioletti, está no uso de tecnologia para aplicar inteligência artificial (IA) e a descarbonização de sua matriz energética, com a substituição de fontes não renováveis e emissoras de GEE por fontes renováveis e de baixa emissão.

Um exemplo é a substituição de caminhões diesel por caminhões elétricos em que as baterias são recarregadas por meio de fontes de energia solar, eólica e hidráulica.

A Vale tem investido em inovação tecnológica para melhorar a eficiência energética das operações. “A mineração tem visto avanços expressivos em automação, IA e internet das coisas (IoT). Por exemplo, a implementação de veículos autônomos e a utilização de drones para monitoramento de minas têm aumentado não somente a eficiência operacional como também a segurança. Sistemas de controle avançado que monitoram em tempo real os processos e permitem o ajuste automático dos parâmetros operacionais têm reduzido a ociosidade de máquinas”, explica Isabelle Santos.

Entre as iniciativas em andamento voltadas à melhora de eficiência no uso de combustíveis fósseis, segundo Isabelle, destaca-se o projeto MinAInteligente, que utiliza IA para otimizar o consumo de diesel em caminhões fora de estrada e equipamentos de infraestrutura de mina. Por meio de recomendações de parâmetros operacionais, o projeto foca na velocidade ideal dos caminhões para cada trecho da mina. Assim, aumenta a vida útil dos equipamentos e melhora a segurança nas operações.

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