Transparência da blockchain dificulta crimes financeiros com criptomoedas
Facilidade e agilidade no rastreamento de transações são aliadas de autoridades legais e limitam operações ilícitas a menos de 0,5%; corretoras de criptoativos têm colaborado com poder público para coibir atividade criminosa
Dados atualizados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime ou Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC) estimam que os crimes de lavagem de dinheiro movimentam, por ano, entre US$ 800 bilhões e US$ 2 trilhões. Grande maioria desses atos é praticada por meio de transações financeiras envolvendo instrumentos conhecidos do mercado de capitais e moedas emitidas por governos e bancos centrais.
Em contrapartida, as atividades ilícitas realizadas com criptomoedas e outros ativos digitais representam somente cerca de 0,03% deste total. Crimes de lavagem oriundos de cripto são muito poucos.
Há uma percepção na sociedade que a blockchain e as criptomoedas facilitam a lavagem de dinheiro e os crimes financeiros por conta de um suposto "anonimato" desta rede. Mas em realidade, é justamente a transparência intrínseca à tecnologia blockchain, a base para as movimentações com criptoativos, que tem se mostrado um recurso potente nas investigações e no bloqueio de recursos oriundos de atividades ilícitas.
Rastreamento
As transações de criptomoedas ocorrem em ambiente de registro distribuído (do inglês distributed ledger), que é uma espécie de banco de dados. Porém, diferentemente das operações com os bancos de dados tradicionais, no registro distribuído, todos os participantes do sistema têm acesso às informações registradas na rede.
Por isso, um dos maiores mitos envolvendo as transações com criptomoedas é associá-las ao completo anonimato. Não há como se esconder em uma transação de criptomoeda graças à tecnologia blockchain. Diferentemente do que se pensa, nenhuma operação envolvendo criptoativo, portanto, é anônima.
Sempre que uma operação de criptomoeda é realizada em um computador, os demais computadores da rede desencadeiam uma série de verificações para comprovar a validade da transação. Essa validação verifica se alguma regra da blockchain foi violada. São procedimentos que envolvem, por exemplo, checagem da quantia informada ou de chaves para envio de remessas.
Quando uma transação é aprovada pela rede, ela fica armazenada com outras milhares de transações e é automaticamente inserida em um bloco, que recebe uma numeração específica. Esses procedimentos não podem ser apagados e ficam permanentemente registrados em uma cadeia de blocos, por isso a tecnologia ganhou o nome de blockchain, tradução literal de cadeia de blocos.
Tecnologia a serviço da lei
Com a blockchain garantindo o rastreamento de todas as transações realizadas, as corretoras de criptomoedas têm se tornado um aliado relevante no combate à atividade criminosa, atuando em conjunto com as autoridades globais.
Na Binance, provedora global de infraestrutura para o ecossistema cripto e blockchain, a luta para coibir crimes com criptomoedas foi incorporada como mais um compromisso com os usuários e os reguladores de todo mundo. Tigran Gambaryan, líder de Conformidade Contra Crimes Financeiros da Binance, ressalta que as criptomoedas são, provavelmente, a pior maneira de lavar dinheiro. A forma como as transações são registradas, pública e permanente, facilita o trabalho dos investigadores e das autoridades na identificação de atividades ilícitas.
“A criptomoeda oferece transparência inigualável em sua atividade, permitindo que autoridades de aplicação da lei façam seu trabalho com eficiência. Há um mito importante de se desmentir: as criptomoedas não são um bom lugar para lavagem de dinheiro, e ponto final”, afirma Gambaryan. “Dizer que ela só é usada por criminosos é ofensivo e equivocado, pois sabemos exatamente quanto dinheiro passou pelas criptomoedas, e o envolvimento criminoso é uma porcentagem muito pequena desse volume. Não somos nós dizendo, são várias instituições", completa.
No Brasil, a Binance também investe no combate aos crimes com criptomoedas. No segundo semestre de 2022, equipes da empresa com experiência em investigações atuaram com a Polícia Civil de São Paulo no rastreamento e congelamento de valores envolvidos em uma ação de extorsão. Além da transparência da blockchain, o processo de conheça seu cliente (KYC, na sigla em inglês), implantado pela Binance para todos os usuários e que exige verificação avançada de identidade, entre outros requisitos, foi crucial na identificação dos suspeitos, levando a sua posterior prisão.
Dados de um relatório da Chainalysis, uma das mais renomadas empresas de inteligência de mercado do mundo e que presta serviços para autoridades de diversos países desenvolvidos, mostra que o volume financeiro de atividades ilícitas envolvendo criptomoedas chegou a US$ 20,1 bilhões em 2022, o que representa a apenas 0,24% do montante transacionado neste mercado. Se comparado ao valor estimado pela agência da ONU citado no início do teto, esse valor representa apenas 0,03% do montante estimado de lavagem de dinheiro no mundo.
“Em contraste com as investigações financeiras tradicionais, a natureza transparente das criptomoedas facilita a identificação dos mal-intencionados de forma muito mais rápida”, afirma Matthew Price, líder Global de Inteligência e Investigações da Binance. "Especialistas em segurança enxergam os benefícios que as possibilidades de rastreamento da blockchain têm para suas investigações e para o bloqueio de recursos".









