Mudança da CVM reforça papel da inteligência de dados na estratégia ESG
Com a flexibilização das regras para o reporte de sustentabilidade, cresce a importância de comprovar resultados e orientar estratégias
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revogou, em maio de 2026, a obrigatoriedade de divulgação de informações financeiras ligadas à sustentabilidade nos padrões do ISSB. A medida reacendeu o debate sobre os rumos da agenda ESG no mercado brasileiro e colocou em evidência um novo papel para a inteligência de dados.
De um lado, a medida é vista como um recuo regulatório, uma vez que a Resolução CVM nº 193 havia colocado o Brasil na vanguarda dos padrões internacionais de sustentabilidade. Por outro, a flexibilização é interpretada como o reconhecimento das dificuldades enfrentadas por parte do mercado para atender às exigências previstas no modelo anterior.
“A sustentabilidade não saiu da pauta. O que ocorre é que a divulgação passa a ter caráter voluntário. Para as empresas que já têm uma estratégia baseada na análise de riscos e oportunidades relacionados ao tema, pouca coisa muda”, afirma Mariana Bazzoni, diretora de operações da Beon.
Reputação em evidência
Para Mariana, com a flexibilização das regras, a divulgação de informações sobre sustentabilidade tende a estar menos associada ao cumprimento de exigências jurídicas e mais conectada à reputação empresarial.
Isso porque a demanda por transparência não vem apenas de investidores e demais stakeholders. Cada vez mais, consumidores e cidadãos têm demonstrado a necessidade de acompanhar, avaliar e consumir de empresas que se mostrem atentas à pauta ESG e que tenham ações coerentes com seus discursos.
“O mercado terá de se autorregular. Os stakeholders que já consumiam essas informações quando sua divulgação era obrigatória, como investidores, analistas de mercado e outros públicos estratégicos, continuarão demandando esse tipo de dado. Assim, a divulgação dos relatórios pode até se tornar um diferencial maior entre as empresas, já que o mercado passará a distinguir com mais clareza aquelas que optam por manter esse nível de transparência daquelas que deixam de fazê-lo”, avalia Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
“Quem reportava para cumprir uma norma tende a parar ou reduzir esse investimento, porque deixou de existir uma contrapartida legal. Mas, para quem utiliza essas informações para gerenciar riscos, acessar crédito em melhores condições ou aprofundar a relação com investidores, elas continuam sendo estratégicas”, avalia Mariana.
A percepção do mercado confirma essa lógica. A PwC Global Investor Survey 2025 revela que 78% dos investidores acreditam que a divulgação de informações de sustentabilidade tem impacto positivo no engajamento, mesmo num cenário em que menos da metade deles afirma depender dessas informações para avaliar riscos formalmente. O dado indica que os relatórios ESG estão deixando de ser apenas instrumentos de compliance para se tornarem sinais de credibilidade e governança.
A especialista aponta, porém, que a perda de comparabilidade entre empresas pode ser um possível efeito colateral da flexibilização. “Os relatórios tendem a ficar mais desiguais. Isso dificulta a comparação e aumenta a demanda por fontes independentes de dados”.
Inteligência de dados como diferencial competitivo
É essa demanda que coloca a inteligência de dados no centro da estratégia ESG. Mais do que publicar relatórios, trata-se de construir uma abordagem baseada em evidências, amparada em dados verificáveis, capazes de orientar decisões internas e sustentar o posicionamento da empresa diante de investidores, consumidores e reguladores.
“Você mede, vê onde está falhando, age para corrigir o problema e mede novamente para verificar se a estratégia deu resultado. Depois, ajusta o que for preciso e continua monitorando”, explica Tokarski.
Mas se apoiar apenas em indicadores internos de forma isolada já não é suficiente. Para compreender riscos e oportunidades com profundidade, é preciso também cruzar dados próprios com pesquisas de percepção de stakeholders, monitoramento reputacional, tendências de mercado e análises setoriais. É essa integração de fontes que transforma números em inteligência. E inteligência em decisão estratégica.
“As empresas vão ter que ser ainda mais cuidadosas com a qualidade dessas informações, porque é daí que virá a credibilidade necessária para que stakeholders confiem que as iniciativas de ESG estão sendo implementadas de fato e possam ser verificadas pelo mercado”, complementa o CEO da Nexus.
“Estamos falando que a diferença fundamental não está no relatório. Ela está no que acontece na empresa nos outros 364 dias do ano. É nesse período que os dados são produzidos, analisados e transformados em decisões”, completa Mariana.
É nessa convergência entre estratégia e inteligência que Beon e Nexus atuam. Enquanto a Beon apoia empresas na definição de temas materiais, indicadores e estratégias ESG, a Nexus contribui com pesquisas, monitoramento reputacional e inteligência de dados.
“Conseguimos oferecer aos clientes a oportunidade de construir uma estratégia realmente fundamentada em dados de mercado, sustentando posicionamentos sem medo, sem distorções e sem romantizações sobre determinados temas. Isso permite uma tomada de decisão estratégica, integrada e bem embasada”, conclui Mariana.









