Empresas intensificam esforços para atender à norma CVM 193 até 2027
A regra impacta diretamente a gestão e a transparência das informações financeiras e de sustentabilidade; companhias precisam se adequar às mudanças
A dois anos da obrigatoriedade de adaptação à norma CVM 193, empresas brasileiras de capital aberto estão em estágios variados de maturidade diante das novas exigências de governança e transparência. A medida publicada em 2023 torna mandatória, a partir de 2027, a apresentação de informações financeiras e ESG em conformidade com os padrões internacionais IFRS do International Sustainability Standards Board (ISSB).
Há um movimento crescente de adequação no mercado: enquanto algumas companhias já avançam no alinhamento aos padrões IFRS S1 e S2 — focados em sustentabilidade e clima —, outras ainda estão mapeando riscos e definindo estratégias. A maioria, no entanto, se encontra em fase intermediária, buscando estruturar processos e integrar os novos requisitos às rotinas corporativas. “As que se propuseram a antecipar o processo têm feito um trabalho louvável porque dispõem de tempo para fazer as adequações necessárias”, analisa Danilo Maeda, diretor-geral da Beon ESG.
As corporações que ainda não se movimentaram devem acelerar o plano de ação, pois há um trabalho longo a ser feito: mapear riscos socioambientais, quantificar e qualificar impactos, revisar processos internos, ajustar estruturas de governança e controles, além de envolver áreas como finanças, controladoria, relações com investidores e C-level. Uma das maiores dificuldades apontadas pelas instituições está em integrar, de forma efetiva, a avaliação dos riscos ESG ao planejamento estratégico.
“Ao traduzir esses aspectos, muitas organizações se deparam com um potencial impacto financeiro relevante, que deve ser priorizado e acompanhado pela alta administração. É importante destacar que esse tipo de informação é extremamente relevante para o mercado de capitais no processo de seleção e monitoramento de um ativo, principalmente quando olhamos para os riscos de transição”, explica Carlos Takahashi, diretor e coordenador da Rede Anbima de Sustentabilidade.
Questão global
As discussões sobre temas ambientais ampliam a pressão por reporte e clareza por parte das organizações. Um estudo da consultoria Deloitte estima que, sem medidas efetivas para conter o desequilíbrio climático, as perdas na América do Sul podem alcançar US$ 17 trilhões.
Não há mais espaço para ações empresariais genéricas, conteúdos imprecisos e números díspares. Esse cenário tende a ser substituído por dados auditados e consequências legais em caso de informações falsas. “É um ponto de atenção importante para os profissionais de RI, finanças e controladoria, que serão os responsáveis por assinar esses relatórios”, adverte Maeda.
Ele acredita que um dos méritos da norma é resolver o problema de desequilíbrio de informação existente hoje no mercado. “Atualmente, as empresas publicam o relatório de sustentabilidade e o balanço de demonstrações financeiras e acontece, em alguns casos, de haver dados publicados em um documento, e não no outro. Isso é ruim para o investidor, que não tem a totalidade das informações necessárias para tomar a melhor decisão.”
Takahashi concorda que a CVM 193 traz efeitos favoráveis. “É uma importante contribuição para o desenvolvimento de uma comunicação mais transparente e adequada entre os agentes de mercado”, diz.
Na Beon, o foco é assegurar desde o diagnóstico de aderência às novas regras até a execução dos ajustes necessários para atender às exigências. “Damos suporte para os clientes traçarem a rota adequada para responder à demanda da melhor forma”, conta Maeda. “Participamos da execução do plano, fazendo mapeamento de riscos climáticos e socioambientais, inclusive. Atuamos como conselheiros para que, em 2027, as empresas cumpram as regras sem contratempos”, conclui.









