Rastreabilidade ESG como estratégia de competitividade
Verificar as cadeias de valor é demanda cada vez mais exigida nos mercados nacional e internacional
Investir em rastreabilidade tem se tornado um diferencial competitivo e um marcador de compromisso com as práticas ESG para as empresas, uma vez que essa ação possibilita a mitigação dos riscos socioambientais que possam acontecer fora da esteira operacional.
Nesse contexto, portanto, uma empresa referência em seu segmento é capaz de impactar positivamente toda uma cadeia na medida em que exija de seus fornecedores alinhamento e observância aos parâmetros ESG.
Isso gera resultados positivos tanto para a área financeira das companhias – que conseguem atuar num cenário com mais previsibilidade – como para a sociedade em geral, que se beneficia de ações sustentáveis.
“A ideia de monitorar, acompanhar e mitigar os riscos socioambientais ao longo dos processos é super-relevante para a sustentabilidade do negócio, além de prevenir crises corporativas e melhorar a eficiência”, acrescenta Danilo Maeda, diretor geral da Beon ESG.
Cenário nacional
Há uma tendência global de fortalecimento da agenda ESG e de incentivo à gestão sustentável. O resultado é um amadurecimento do mercado e dos investidores, cada vez mais atentos às exigências globais que prezam pelo mapeamento das ações e pela mitigação de impactos negativos nas sociedades e no planeta.
Embora as organizações demonstrem interesse no assunto e sigam investindo em programas de engajamento nas pautas, Maeda destaca que ainda há um longo caminho a ser percorrido.
“Recentemente, a Beon fez uma pesquisa sobre identificação de riscos socioambientais no âmbito corporativo. Das companhias ouvidas, 50% afirmaram que tinham algum programa e, desse montante, só 40% tinham o mapeamento aplicado à cadeia de valor. O que isso nos mostra, na prática? Que só 20% têm um mapeamento de riscos socioambientais na cadeia de valor”, explica o diretor geral.
O percentual, que não é alto, pode indicar um cenário ainda mais desafiador, pois o fato de uma empresa mapear risco ambiental não significa, necessariamente, que ela tenha de fato um programa de adoção de boas práticas, uma vez que mapear é o primeiro passo dessa jornada.
As companhias que se encontram nesse estágio podem ficar para trás. “Quando uma empresa não mapeia os riscos e os impactos, eles não deixam de existir, só não estão identificados. Em se tratando de prejuízos, o primeiro é sobre contratar um risco sem saber qual é. Outro é a questão do acesso aos mercados, porque quem não consegue monitorar os impactos da sua cadeia de valor tende a deixar de vender seus produtos para determinados consumidores”, ressalta Maeda.
Parâmetro internacional
Não faltam evidências de que o mercado internacional está fechando o cerco contra práticas insustentáveis. Um dos acenos mais consideráveis ocorreu em abril deste ano, quando o Parlamento Europeu determinou às companhias que adotem parâmetros garantidores de proteção ambiental, combate às mudanças climáticas e de direitos humanos. A decisão teve um efeito cascata em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Isso porque a lei é aplicável tanto às empresas locais como às estrangeiras que atuam no território da União Europeia (UE). Na prática, significa que, para fazer negócio com qualquer um dos 27 países do bloco, será necessário verificar todos os processos das respectivas cadeias de valor, desde a extração da matéria-prima à distribuição do produto final.
“A decisão da União Europeia reforça que a importância da rastreabilidade não é só força de expressão, mas, sim, um requisito. E isso nos mostra que, num futuro próximo, quem não cumprir as exigências não conseguirá acessar o mercado legal”, conclui Maeda.









