Accenture reúne consultorias de negócios e TI em projeto pela efetividade da diversidade
No mês do Orgulho LGBTQIAP+, multinacional convidou dez das maiores empresas do setor para unir conhecimento e tecnologia contra a fadiga da diversidade
As maiores empresas de tecnologia e consultoria de negócios se comprometeram a trabalhar juntas em projeto que permita ao setor atingir resultados reais a partir de forças de trabalho verdadeiramente diversas na sua composição e incluídas com eficácia nas diversas áreas. Nos últimos anos, muitas ações de inclusão de grupos minoritários nas organizações foram realizadas na maior parte das verticais de indústria no Brasil, mas, como em todo mundo, o fenômeno conhecido como fadiga da diversidade cresce e, com ele, o risco de que o sonhado futuro justo se distancie ainda mais.
O termo fadiga da diversidade surgiu na década de 1990, quando executivos se sentiam pressionados pelas cotas e metas de diversidade que começavam a ser exigidas por políticas internas e externas. Era uma tarefa árdua a de adequar os modelos de trabalho, as grades de capacitação, a chamada meritocracia e a própria cultura das empresas para atender à necessária evolução do convívio social e da equidade.
Hoje, o termo ganhou amplitude e novo sentido. “Diversidade precisa deixar de ser apenas o cumprimento do politicamente correto, que se mede em números de mulheres, pretos e pardos, pessoas com deficiência, LGBTQIAP+, de religiões várias ou grisalhos que uma companhia tem em seu time”, explica o presidente da Accenture para o Brasil e América Latina, Rodolfo Eschenbach. “Isso frustra quem verdadeiramente se dedica ao tema dentro das empresas e aqueles que investem alto para ter uma organização mais criativa e mais competitiva a partir da diversidade.”
A inclusão dessa população nos times deve ser efetiva ou o tão proclamado aumento da criatividade não se traduz em realização profissional e aumento de produtividade, por exemplo. Acabam as empresas tendo grupos fragmentados, sem perspectiva de crescimento. Essa frustração, tanto para esses profissionais como para os líderes dos programas de diversidade e inclusão, traz a fadiga e os riscos de enfraquecimento dessa consciência sobre a necessidade de uma sociedade justa.
“O grupo que se reuniu à mesma mesa, com o mesmo propósito, detém profundo conhecimento de negócios e toda a tecnologia mais avançada nas mãos. Durante a pandemia, esses dois componentes transformaram organizações inteiras, comportamentos, relações. Portanto, chegou a hora de colocar toda nossa experiência, sem concorrência, em favor da diversidade e da inclusão reais”, conclui Eschenbach.
De acordo com o último levantamento demográfico de diversidade nas organizações do Instituto Ethos, a representatividade ainda é baixa nas grandes empresas: a presença de pessoas pretas e pardas na liderança é menor que 5%, e as mulheres têm participação de pouco mais de 13% no quadro executivo. "Antes de agir, é preciso conhecer a fundo nossas dores e ter metas claras, para que os programas não fiquem apenas na teoria. Uma das prioridades deve ser colocar em treinamento obrigatório 100% das lideranças, porque elas precisam estar engajadas,” destaca a executiva Ângela Castro, líder do Programa Delas na Deloitte.
Algumas companhias fazem ações para mudar esse cenário. Mas, para o presidente da Accenture no Brasil, isso ainda é feito de maneira isolada. “As grandes organizações contam com políticas internas bem estabelecidas, mas cada uma tem uma jornada muito individual. A Accenture é, hoje, líder no tema, mas vivemos em uma bolha, que precisa ser rompida e expandida.”
A executiva Luciana Coen, sponsor de Pride para SAP, destaca que as empresas têm papel fundamental na sociedade, como exemplos de um ambiente inclusivo, como influenciadores de pessoas (funcionários ou clientes). “É papel do setor privado, também, olhar para populações menorizadas e trabalhar arduamente a inclusão destas populações, com respeito, nos ambientes de trabalho até termos sociedades justas, livres e inclusivas”, diz.
União em prol da diversidade
Recentemente, a Accenture recebeu reconhecimentos, no Brasil, que apontam boas práticas em diversidade. No ranking Great Place to Work (GPTW), a consultoria entrou para o Top 10 na categoria de empresas com mais de dez mil funcionários e figurou nos demais rankings de diversidade e inclusão com destaque. Na pesquisa Ethos/Época de Inclusão foi eleita como a empresa mais inclusiva pelo segundo ano consecutivo.
Mais do que reconhecimento, a Accenture e as demais empresas do setor de consultorias e TI querem ser protagonistas de um movimento inédito de indústria. “Ao firmar esse compromisso entre players do mercado, levaremos as campanhas e ações de diversidade a um novo patamar. Nesse tema, existe a união para provocar impactos positivos nas organizações e na sociedade”, afirma Rafael Bonini, executivo de Strategy & Consulting e líder do Comitê #Pride na Accenture Brasil.
A Consultoria PwC Brasil se uniu ao grupo. Segundo o diretor de Inclusão & Diversidade e Sustentabilidade Corporativa, Renato Souza, a parceria se faz importante principalmente porque os problemas de inclusão e diversidade extrapolam os limites das empresas e precisam de cooperação para sofrer mudanças.
“As empresas não conseguem e também não podem ocupar o papel do Estado, mas devemos cobrar novas políticas públicas e fazer ações que impactem de forma abrangente a comunidade. Uma das prioridades é pensar no encarreiramento de pessoas LGBTQIAP+ considerando todas suas possíveis interseccionalidades. São profissionais que estão em nossas empresas, mas que, assim como mulheres, pessoas negras e com deficiência, ainda apresentam dificuldades para chegar ao topo, por exemplo. Isso precisa mudar”, afirma.
Ainda sobre esta frente, Gabriel Demasi, líder do grupo LGBTQIAP+ na IBM, acredita ser fundamental reforçar que na comunidade LGBTQIAP+ há um alto índice de suicídio. “Então, a responsabilidade e importância de incluir é enorme. Precisamos utilizar os nossos privilégios para ajudar outras pessoas a serem aceitas e respeitadas da forma como elas são e se identificam. A inclusão deve ser uma luta de toda a sociedade”, diz.
Foco nas lideranças
O encontro foi conduzido por Sandra Gioffi, ex-Accenture e hoje cofundadora da startup BeNice, além de CEO da startup O Trampo É Seu. Ela vai liderar a dinâmica das sessões de trabalho que o grupo vai cumprir para que, juntas, essas organizações apresentem em breve o projeto inicial da evolução das ações de diversidade e inclusão hoje em prática.
“Cada uma das empresas participantes tem sua fortaleza, mas queremos expandir essas ações e influenciar outras organizações e a indústria a fazer mais. Para que isso aconteça, é preciso que a diversidade seja prioridade das lideranças”, aponta Sandra. “Nossa missão, agora, é criar propostas concretas, que deverão ser apresentadas daqui a 60 dias.”
Marcia Guerreiro, diretora de Marketing & Comunicação da Accenture para América Latina, espera que, como resultado, a diversidade deixe de ser pautada só em números e que tenha mais investimento. “Não é a porcentagem de minorias que vai tornar a empresa e a sociedade diversas. A inclusão é muito mais do que isso. Nesse encontro, reunimos empresas dos setores que mudam o mundo e precisamos usar essa influência para fazer mais e melhor”, afirma.
Segundo Bonini, da Accenture, outro fator a ser considerado é que a diversidade já é vista como essencial para a geração de valor e inovação nas empresas, que passaram a perceber que é necessário ter uma força de trabalho diversa para obter resultados. “Hoje, os candidatos consideram a diversidade ao escolher uma empresa para trabalhar. Não dá para ignorar esse tema, ele é fundamental para qualquer tipo de negócio.”
Pilares da diversidade
Na Accenture, os pilares de diversidade foram implantados em 2010 e hoje contam com foco em gênero, étnico-racial, LGBTQIAP+, religião, pessoas com deficiência e diversidade transcultural. Para cada pilar, há um diretor e um comitê dedicados.
O executivo André Fiorilli é o líder do programa Sem Barreiras, dedicado à inclusão das pessoas com deficiências. “Sou um verdadeiro entusiasta da tecnologia e, por consequência, acredito que ela só pode ser alcançada com a diversidade dos times”, diz. “E isso se reflete na interseccionalidade entre as frentes, outro tema que deve ser prioritário dentro da diversidade.”
Um dos mais novos pilares, criado em 2021, é o Comitê Grand Master, concentrado nas pessoas com mais de 50 anos e representado por Alex Grizagoridis. “Esse é um exemplo perfeito da diversidade, porque todas as pessoas que se veem representadas nos outros pilares em algum momento envelhecerão. Precisamos olhar para elas, considerar suas experiências e garantir reconhecimento, treinamento e um lugar no mercado de trabalho.”
Para além do compromisso firmado com seus pares, a Accenture conta com metas próprias para aumentar a diversidade dentro de suas instalações: chegar a 50 colaboradores trans ou travestis; ter ao menos 50% de mulheres entre todos os talentos; alcançar o índice de 100% dos diretores autodeclarados aliados da comunidade LGBTQIAP+; e chegar a 25% de aliados, considerando a população de profissionais como um todo.
“Os aliados são fundamentais: são pessoas que estão ao nosso lado, dando suporte e ajudando a criar uma cultura organizacional inclusiva e um ambiente conectado e seguro”, explica Wilson Marcondes, líder do pilar Étnico-Racial na Accenture.
Na visão de Andrea Thiago, diretora à frente do Programa Mulheres na Accenture, para que as pessoas possam ser e estar inteiras no ambiente de trabalho, elas precisam se sentir acolhidas e respeitadas. “Todas as atitudes e decisões se refletem nas pessoas, no mercado e na sociedade. A Accenture é referência mundial em diversidade, e vamos trabalhar para influenciar o mercado todo a fazer o mesmo.”
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