Pesquisa mostra tendências de crescimento para o setor de streaming
Empresas do segmento buscam a lucratividade inovando na captação de recursos, na inserção de publicidade e na oferta de conteúdos e agregadores
Há pouco mais de dez anos, os serviços de streaming direto ao consumidor (D2C) chegaram com tudo e revolucionaram a indústria do entretenimento. Depois do sucesso inicial, o setor deve, agora, se preparar para uma transição que definirá a sobrevivência e possibilidades de crescimento das empresas do segmento. É o que aponta a mais recente pesquisa sobre entretenimento da consultoria Accenture, intitulada “Reinvent for growth”.
A primeira década deu início a uma jornada de transformação para os consumidores. Diante desse cenário, ainda existem expectativas não atingidas, apesar de todos os benefícios e das vantagens já estabelecidas. Se faz urgente, de acordo com o líder para a Indústria de Mídia e Entretenimento da Accenture, Luis Bonilauri, que a indústria entenda o comportamento do consumidor e se adapte às necessidades do mercado nesse momento.
“Existe uma limitação de atenção das pessoas e uma profusão de inventários de todos os tipos” — explica Márcio Guilherme, diretor de Estratégia e Consultoria para Mídia e Entretenimento da Accenture. “Quando você está prestando atenção a um vídeo no YouTube, está deixando de assistir a uma série no Netflix. Quando assiste a uma série no Netflix, deixa de assistir a um jogo na Globo e assim por diante”, diz Guilherme.
Bonilauri lembra também que a competição se estende a plataformas que não são pagas, como as redes sociais, monetizadas por meio da publicidade. “Elas utilizam recursos cada vez mais sofisticados para atrair a atenção do usuário, e tudo isso precisa ser levado em consideração ao pensar nos próximos passos”.
Ofertas em alta, frustrações também
Infelizmente, o número de opções não é sinônimo de cenário positivo. O mercado de vídeo sob demanda por assinatura (SVOD) teve um crescimento lento em 2022, com um número decrescente de novas inscrições. Além disso, as taxas de “churn” — perda de clientes ou de receita — estão em alta. De acordo com Luis Bonilauri, o excesso de ofertas gera certa frustração nos consumidores.
Ele ressalta que uma das maiores questões é a quantidade de serviços que os usuários têm que assinar para conseguir assistir aos programas favoritos. Para se ter ideia, nos Estados Unidos, a média de serviços por streaming assinados é de dez plataformas diferentes. A pesquisa aponta que 20% dos consumidores acham esse número excessivo, e apenas 7% acreditam ser um número baixo.
Como resultado, 35% dos consumidores cancelaram a assinatura de pelo menos um dos cinco grandes serviços de distribuição de vídeo sob demanda nos últimos 12 meses; e 26% dizem que planejam cortar uma ou mais assinaturas no período de um ano. “Hoje, com a quantidade de plataformas existentes, se o consumidor for assinar todas, vai acabar gastando um valor semelhante — ou até maior — do que um plano de TV a cabo”, diz Bonilauri. “É uma conta que não fecha.”
Márcio Guilherme lembra que, inclusive, alguns “players” dessa indústria lucram com o streaming de forma indireta. É o caso de empresas como Amazon, Apple e Google, que têm receitas e fluxo de caixa operacional de outros produtos e serviços. “As empresas, principalmente as que vivem só de streaming, precisam descobrir como participar do mercado de maneira lucrativa e, ao mesmo tempo, oferecer aos consumidores o que eles querem”, afirma.
Disputa por engajamento
Além de competir entre si, os serviços de streaming disputam o espaço e a atenção dos consumidores também com outras fontes de entretenimento e consumo de vídeo — como as redes sociais. Para se ter ideia, mais de 50% dos entrevistados em 2022 afirmaram que sentem estar gastando mais tempo em plataformas como o TikTok. O aplicativo é conhecido por oferecer um algoritmo potente, acurado e assertivo, concorrendo até mesmo com jogos e outros apps.
Considerando todos esses dados, a Accenture identificou três papéis emergentes para empresas de entretenimento que estão competindo pelo tempo, atenção e dinheiro dos consumidores. A começar pelos agregadores de audiência, empresas de plataforma com um modelo de negócios diversificado, que monetizam a atenção e o engajamento direta e indiretamente. Eles utilizam a estratégia de unir vários tipos de entretenimento e serviços em um só lugar, oferecendo aos clientes a simplicidade que tanto almejam.
Os cultivadores de audiência, segundo papel, criarão e monetizarão com eficiência o entretenimento em uma ou várias formas e, por fim, os provedores de conteúdo se concentrarão em criar o melhor conteúdo possível, sem necessidade de monetizar o engajamento alcançado. Uma plataforma de sucesso, como aponta a pesquisa, deverá incluir jogos, mídias sociais e outros vídeos. Além disso, será preciso satisfazer as necessidades de diferentes segmentos, levando em consideração os serviços 100% apoiados por publicidade e os baseados exclusivamente em assinaturas.
“Não há outra forma: é preciso entender e acatar o que o consumidor pensa e precisa, solucionar as suas dores e encontrar, no meio do caminho, outras oportunidades dentro do negócio”, afirma o diretor da Accenture Luis Bonilauri. “A indústria já vem brigando pela atenção dos clientes há tempos. Essa disputa existe desde o tempo em que o rádio estremeceu com a chegada da TV. Agora, com o bombardeio de novas opções, o desafio ficou mais intenso, e a competição nem sempre é conhecida. O segredo sempre esteve em saber se adaptar e entender o que o consumidor pede. Desta vez, o cenário não é diferente.”
O estudo “Reinvent for growth” contou com a participação de seis mil consumidores maiores de 18 anos, em dez países diferentes, e foi projetado justamente para identificar mudanças significativas no regime de mídia D2C. O levantamento foi realizado entre outubro e novembro de 2022 e tem o objetivo de alavancar sugestões para que as marcas se mantenham relevantes.
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