Business Agility: transformação é necessidade estratégica para os negócios
Para criar competências ágeis, empresas precisam ingressar em uma jornada contínua, que deve englobar todas as áreas da organização
Nos últimos anos, muito se falou em digitalização e modernização dos mais diferentes tipos de negócio. Também ficou clara, principalmente nos dois principais anos de pandemia, a urgente necessidade das empresas de criar competências para inovar diante das incertezas e em momentos de crise.
Nesse sentido, um modelo considerado estratégico é o Business Agility (ou “Agilidade nos Negócios”, traduzido do inglês), que consiste em investir de forma consistente na transformação ágil da organização. É o que explica Edivandro Conforto, managing director e líder para a América Latina da prática de Business Agility e Transformação na Accenture.
De acordo com o executivo, Business Agility é a capacidade da organização de antecipar, adaptar e acelerar para responder efetivamente às oportunidades e aos desafios do negócio. “Antecipar significa ter processos e estrutura para experimentar o futuro, equilibrando previsibilidade com inovação. Adaptar significa ter flexibilidade e velocidade para aprender, tomar decisões e melhorar continuamente. E acelerar significa ser capaz de reduzir o tempo de chegada ao mercado (time-to-market), tempo de entrega de novos produtos e serviços, e ter foco na entrega de valor para o cliente”, diz.
Business Agility no Brasil
Apesar de os anos 2020 serem considerados a década do Business Agility, e essas transformações já estarem em curso de forma global, o tema ainda encontra desafios no que tange ao mercado nacional. É o que aponta a pesquisa inédita conduzida pelo IDC Custom Solutions e patrocinada pela Accenture, “Business Agility Transformation – Uma Perspectiva das Empresas Brasileiras”, feita com mais de 200 empresas no país.
“Ao serem questionados sobre seu entendimento de Business Agility, apenas 34% dos entrevistados deram respostas objetivas e que indicavam claramente uma mudança estratégica na forma de operar, com menos burocracia e mais impactos positivos para os negócios”, ressalta Conforto. “Business Agility se trata de uma transformação do negócio como um todo, não apenas de uma parte dele ou de alguns processos. O foco deve ser a transformação total e não só de TI.”
Ao mesmo tempo, quase 55% dessas empresas afirmaram ter alguma iniciativa em Business Agility em toda a organização. Tanto as companhias que já iniciaram quanto as que não iniciaram suas jornadas nesse modelo apontaram a necessidade de adaptação a novas práticas de mercado como principal motivação para adotar a estratégia.
“A necessidade de impulsionar e acelerar a inovação, o avanço da transformação digital da empresa, a demanda dos clientes por maior agilidade e a maior competitividade dos concorrentes também são fatores que aparecem em destaque”, aponta Conforto.
Business Agility é para todos
Ele ressalta que os executivos estão lidando com um dilema que cresce a cada dia. Por um lado, precisam ajustar constantemente seus processos e operações para ter maior alinhamento com a estratégia, cultura e estrutura, visando resultados de curto prazo e adaptação às mudanças evolutivas. Por outro, veem-se obrigados a desconstruir o próprio alinhamento, que tornou a organização bem-sucedida e eficiente, a fim de se adaptar às mudanças disruptivas.
“Isso é o que conhecemos como organização ambidestra. Em parte do tempo, essas organizações operam em um cenário caracterizado por períodos de relativa estabilidade e melhorias incrementais. Na outra parte, estão imersas em um contexto regido por mudanças revolucionárias”, analisa.
O cenário se apresenta mais favorável para quem já nasceu na era digital. Afinal, como diz o executivo, possuem a vantagem de poder se estruturar de uma melhor forma, com foco na jornada estratégica desde o início. Mas isso não quer dizer que não haja desafios. “Conforme as startups crescem em volume de pessoas, número de clientes e faturamento, mais controles e processos serão necessários. Daí as trocas comuns de grandes organizações, tais como o ‘simples versus complexo’ e a ‘eficiência versus inovação’, que terão de ser confrontados e endereçados”, orienta.
Da mesma forma, uma empresa mais tradicional — e mais antiga — não precisa sofrer para se modernizar. Basta compreender e aceitar que agilidade é uma competência estratégica necessária para a continuidade do negócio. “Obviamente, alguns setores da indústria sentem os efeitos das transformações tecnológicas e de mercado com menor velocidade do que outros. Mas não se pode negligenciar o fato de que a força de trabalho está acompanhando essas tendências e muitos dos talentos do futuro não aceitarão trabalhar em empresas que não adotam um modelo operacional ágil e tecnologias modernas”, diz Conforto.
Primeiros passos rumo à transformação
A pesquisa aponta que, apesar de a transformação ágil ser uma responsabilidade compartilhada, quando se leva em conta a estratégia das empresas com iniciativas de Business Agility em nível corporativo, são o C-levels que lideram essa jornada. Os CEOs aparecem em primeiro lugar, com 50%, seguidos dos CTOs (38%) — com nível de participação que aumenta ao longo do tempo.
Para quem ainda não deu início à implementação do Business Agility, Edivandro reforça que é preciso ter clareza sobre como a agilidade impacta os negócios. Além disso, trata-se de uma competência e não um método, pois agrega diferentes dimensões e depende de inúmeros fatores.
“Assim, espere que mudanças importantes nos modelos de governança e operacional da empresa sejam necessárias. Também não adianta cortar caminho e simplesmente copiar frameworks ou receitas prontas que deram certo em determinada empresa. Tenha em mente que é uma jornada e não um sprint”, alerta.
Uma jornada que dá resultados
Segundo o líder da prática de Business Agility da Accenture, é comprovado que as organizações que adotavam abordagens e modelos operacionais voltados para agilidade conseguiram benefícios e vantagem competitiva diante da crise causada pela pandemia. Vale ressaltar que pouco mais de um terço das empresas iniciou a transformação para essa modalidade pouco antes ou durante esse período. Hoje, estão mais bem posicionadas do que seus competidores para aproveitar as oportunidades da retomada econômica.
Dentre os principais benefícios e resultados para as organizações, a pesquisa identificou que mais da metade das companhias pesquisadas percebe benefícios mensuráveis como resultado da transformação. Entre eles, o cumprimento de metas estratégicas, a capacidade de inovação, redução de desperdícios, taxa de crescimento, aumento de satisfação do consumidor (NPS), geração de receitas, melhoria nos processos internos e o aumento de previsibilidade.
Algumas contradições também merecem destaque. Entre elas, a percepção de que, ao mesmo tempo que as empresas entendem que dispõem das pessoas certas para colocar a transformação ágil em movimento, a primeira barreira citada pelas mesmas organizações é a falta de profissionais com habilidades e experiência para liderar essas iniciativas.
O estudo foi realizado entre fevereiro e junho de 2022, com 218 empresas de diversos setores de pequeno, médio e grande porte, sendo 77% da amostra organizações com mais de mil funcionários. 100% dos entrevistados estavam envolvidos no processo de decisão sobre Business Agility; 78,4%, há três anos ou mais no cargo; e 76,6%, em posições de diretor, superintendente ou C-level.
Leia o relatório completo acessando este link.









