UBS WM Latin America Summit aponta novos caminhos para mercados emergentes
Previsões de crescimento feitas por especialistas presentes em evento promovido pelo banco, em São Paulo, incluem salto de produtividade e protagonismo da América Latina nas estratégias de investidores globais
A primeira edição do UBS Wealth Management Latin America Summit reuniu mais de 700 lideranças brasileiras e internacionais em torno de uma programação pautada por tendências, movimentos geopolíticos e cenários econômicos que estão definindo o futuro dos negócios e das estratégias de investimento. Realizado entre os dias 25 e 26 de novembro, em São Paulo, o evento teve como objetivo promover conexões entre tomadores de decisão e fortalecer o ecossistema de um dos mais vibrantes blocos da nova ordem mundial.
De acordo com Marcello Chilov, head do Global Wealth Management para a América Latina no UBS, o encontro consolida o compromisso do banco em desenvolver as potencialidades que vêm sendo reveladas em mercados-chave para a região — além de São Paulo, em 2026, o formato deve desembarcar no Panamá, e a expectativa é continuar se expandindo para outros países. “O momento econômico que estamos vivendo, trouxe para a América Latina um novo protagonismo. Ao mesmo tempo, o mercado não vai em uma única direção. Sempre há períodos de volatilidade e de oportunidade. Por isso, criamos esse evento, para conectar investidores, gestores, pensadores e lideranças corporativas para gerar um ponto de convergência entre diversas esferas de tomada de decisão, em um ambiente mais exclusivo”, afirmou.
A força do mercado local está diretamente ligada a um panorama global cada vez mais impactado pelas intersecções entre disrupções tecnológicas, mudanças geopolíticas e desafios macroeconômicos. Em meio a esses movimentos, Dr. James Bullard, ex-presidente do Federal Reserve Bank (Fed) de St. Louis, apresentou uma visão otimista a partir da recuperação do mercado norte-americano. Os fatores mais relevantes incluem a retomada do crescimento econômico e o aumento de produtividade gerado por novas tecnologias. “A indústria financeira, como um todo, ainda não se ajustou a essa realidade. Muitas organizações continuam usando uma régua ultrapassada para medir o desempenho da economia e do mercado de trabalho”, afirmou.
Em relação aos riscos geopolíticos, Bullard prevê uma tendência de estabilização. “O cenário de conflitos ainda existe, mas tem se mostrado mais calmo e previsível ao longo dos últimos meses”, disse. Os pontos de atenção para a consolidação de um novo ciclo de prosperidade econômica, em sua opinião, permanecem nos desafios fiscais e inflacionários enfrentados por governos ao redor do mundo, tendo como referência central as decisões do Fed. “A inflação continua acima da meta, mas os efeitos das políticas tarifárias sobre o consumo foram mais limitados do que o previsto. Na maior parte do tempo, o banco central vem atuando sobre esse cenário de forma eficiente”, explicou.
Oportunidades futuras
As perspectivas positivas se estendem ao desempenho do mercado de capitais. Em painel realizado durante o evento, Alejo Czerwonko, CIO para mercados emergentes nas Américas do UBS GWM, compartilhou as expectativas de valorização de ativos para os próximos meses. Entre os vetores de crescimento, ele destacou os investimentos captados pela indústria de inteligência artificial. Com 40% da atividade econômica americana ligada ao setor, a projeção é que os recursos globais aplicados em infraestrutura de IA atinjam US$ 1,3 trilhão até o final da década. “Estamos observando a formação de uma cadeia produtiva que reúne alguns dos mais promissores segmentos da nova economia, como data centers, semicondutores e serviços de cibersegurança”, afirmou.
Nos mercados emergentes, as oportunidades apresentadas por esse cenário devem ser catalisadas pela valorização das commodities e pelo enfraquecimento do dólar, impulsionando as possibilidades de retorno fora dos Estados Unidos. Somados, esses fatores devem fortalecer a posição da América Latina nas estratégias de investidores globais — movimento reforçado pelas possibilidades de queda nas taxas de juros e de ascensão de lideranças políticas alinhadas a princípios liberais. “A consolidação de um ambiente mais sensível às demandas de mercado tem se revelado como um fator essencial para aumentar a confiança de investidores em relação ao contexto de negócios local”, concluiu.
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Líderes políticos defendem novos modelos de governança para ampliar competitividade
A chegada do próximo ciclo eleitoral aquece as discussões sobre o papel da gestão pública na formação de cenários nacionais de competitividade. Durante o UBS WM LatAm Summit, os novos caminhos de governança foram debatidos por alguns dos nomes que ainda podem despontar como candidatos à corrida presidencial brasileira. Para Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, é necessária a consolidação de uma terceira via. “Minha expectativa é que a sociedade possa escolher entre opções que ajudem o país a olhar para a frente. Para isso, vamos precisar conversar com pessoas que tenham um pensamento totalmente convergente com o nosso”, disse.
A unificação em torno do interesse público foi reforçada por Romeu Zema, governador de Minas Gerais, que defendeu a criação de planos que contemplem eficiência de gastos e responsabilidade fiscal: “Precisamos discutir modelos de gestão que atendam às novas demandas da população e do mercado de modo mais flexível”. Já Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, defendeu a importância das parcerias entre agentes públicos e privados. “É necessário explorar novas maneiras de desvinculação de receita para aumentar a capacidade de investimento de estados e municípios”, explicou.
Sinergia com o mercado
Os governadores presentes no evento apontaram modelos que ganham força entre economias-chave da América Latina. Baseado em modernização de governança e sinergia com o mercado, o movimento reúne nomes como Luis Lacalle Pou, ex-presidente do Uruguai, que destacou o papel da coesão social na formação de cenários de prosperidade econômica: “O senso compartilhado de propósito é fundamental na construção de ambientes de confiança. A divisão gera incerteza, e a incerteza é inimiga do progresso”.
No âmbito global, Dr. Mark T. Esper, ex-secretário de Defesa dos EUA, sugeriu a criação de planejamentos conectados às mudanças no tabuleiro mundial, enfatizando movimentos como o novo protagonismo chinês, as guerras de narrativas e os desdobramentos de conflitos armados: “A relação entre geopolítica, economia e segurança nacional sempre existiu. O que estamos observando agora é uma reconfiguração das forças e dos riscos que orientam o cenário global”.









