Passado o hype, vem a transformação. Como a Oracle está levando a revolução da IA para as empresas
Segundo a organização, companhias estão evoluindo da experimentação para a geração de valor com o uso da inteligência artificial
Por Transformação nos negócios
Atualizado
Já é um consenso geral: a inteligência artificial (especialmente a generativa) chegou para ficar, representando uma mudança irreversível na forma de fazer negócios. Em meio ao entusiasmo em torno dessa tecnologia, muitas empresas estão correndo para aprender e entender como ela pode transformar seus negócios, buscando soluções e projetos para integrá-la às suas operações.
O medo de ficar para trás, conhecido como "fear of missing out" (ou FOMO), no contexto da inteligência artificial (IA), é real, o que tem gerado muitas dúvidas junto às empresas. Como aproveitar o potencial da GenAI nos negócios? Por onde começar?
Para Leandro Vieira, vice-presidente de Inteligência Artificial e Empresas High-tech na Oracle América Latina, o hype está dando lugar a uma nova movimentação.
De acordo com o executivo, 2024 tem sido o ano no qual os casos de uso de IA nas corporações se tornaram mais concretos, evoluindo da experimentação para aplicações que geram valor real. "O ano passado foi de aprendizado e criação de uma cultura de adoção; agora, estamos entrando em uma fase de projetos-piloto e produção", avalia Leandro.
A declaração de Leandro se alinha com um estudo recente do Boston Consulting Group, que entrevistou mil empresas de grande porte nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, 26% delas já empregam IA, além de provas de conceito, e começaram a extrair valor real do uso dessas tecnologias.
De acordo com o estudo, os resultados são notáveis. Das empresas que já estão na fase de piloto e produção com IA nos seus processos, elas registraram ganhos de 50% de receita e 40% de retorno sobre o investimento em IA.
Entretanto, o conselho do executivo da Oracle não vem sem ressalvas. Segundo ele, muitas empresas se apressaram na adoção da IA, desenvolvendo projetos com pouco ou nenhum valor para o negócio.
Uma pesquisa recente do Gartner Group aponta que cerca de 30% dos projetos de IA generativa nas companhias serão abandonados até 2025, devido a fatores como baixa qualidade dos dados, custos elevados e falta de clareza sobre o valor que eles podem agregar ao negócio.
“Estamos em um momento em que muitos projetos-piloto não darão certo, talvez por não serem os mais adequados ao modelo de negócio ou por questões de escala”, explica Leandro. “Por isso, é importante buscar ajuda de um parceiro especializado e começar de forma estruturada”, completa.
Casos de uso
Os casos bem-sucedidos de adoção de IA têm ocorrido em etapas, segundo Leandro, começando com a resolução de problemas pontuais em setores específicos, como o uso de agentes de relacionamento para profissionais de recursos humanos.
“À medida que se experimenta e se cria essa cultura de 'AI first', o pensamento da organização se transforma, permitindo uma implementação mais aprofundada no futuro. Trabalhar em etapas facilita o entendimento geral de como a IA pode ajudar o negócio”, explica.
Algumas empresas, por outro lado, já estão integrando a inteligência artificial a aplicações do dia a dia, como o ERP.
“A cada trimestre, atualizamos nosso ERP com novos recursos de IA, como copilotos que ajudam setores como o financeiro a elaborar relatórios. Com a IA, é possível gerar relatórios pré-formatados com os dados solicitados pelo analista com apenas um clique”, detalha o VP.
De acordo com a Oracle, são mais de cem recursos de IA e mais de 50 agentes integrados às suas soluções, que são atualizadas periodicamente. “Nossa estratégia é trazer novos recursos constantemente, sempre ouvindo os clientes sobre suas necessidades”, destaca Leandro.
Outras companhias já estão adotando modelos mais avançados de IA para otimizar processos. Uma grande empresa de telecomunicações do Brasil, por exemplo, escolheu a Oracle como parceira para treinar um modelo de IA capaz de analisar dez anos de gravações e interações com clientes.
“A partir disso, estamos treinando um agente que ajudará os humanos a interagir melhor em cada chamada. Ele será capaz de analisar não apenas o histórico do cliente na linha, mas também outras chamadas relacionadas ao mesmo problema, proporcionando uma resolução mais eficaz”, afirma Leandro.
Qual é o perfil de IA da sua empresa?
Na visão da Oracle, existem três perfis no uso da inteligência artificial: os disruptores, os construtores e os adotantes. Segundo Leandro, cada companhia deve entender onde se posiciona ao “colocar a mão na massa” com a IA.
“Neste primeiro momento, muitas grandes empresas são adotantes, comprando soluções para melhorar processos com IA”, diz Leandro. “Entretanto, em algum momento, elas terão de se tornar construtoras ou proprietárias da tecnologia. No caso da telecom, por exemplo, ela reconheceu que o atendimento ao cliente é essencial e, por isso, investiu em uma IA própria como diferencial competitivo”, avalia.
Outro movimento destacado pelo executivo é a aproximação das corporações com startups que já têm a IA como parte nativa de suas soluções, algo semelhante ao que aconteceu na última década com as cloud native.
“Muitas startups estão surgindo com produtos de IA específicos para desafios de mercado, o que representa uma grande oportunidade”, comenta Leandro. Ele também destaca o papel da Oracle como facilitadora entre grandes empresas e startups que utilizam sua infraestrutura para desenvolver e treinar soluções de IA. “Nossa função é ser esse elo de conexão entre quem demanda e quem produz”, conclui.
Parceria com a NVIDIA
Atenta ao crescimento da tecnologia em todo o mundo, a Oracle tem investido fortemente para se posicionar como líder em infraestrutura de IA no Brasil. Com dois data centers no país e uma infraestrutura otimizada para reduzir gargalos e latência, a companhia está ajudando clientes a adotarem IA em grande escala, com processamento em tempo real e altos níveis de segurança.
Além disso, a empresa reforçou sua parceria com a NVIDIA, adquirindo GPUs de última geração, o que permite implementar projetos de IA em seus data centers locais.
Com esse “poder de fogo”, a Oracle se tornou o parceiro de escolha de algumas das empresas AI-first mais inovadoras do país. Uma delas é a WideLabs, que usa a Oracle Cloud Infraestructure para treinar um dos maiores modelos de large language models (LLMs) do Brasil, o AmazonIA.
“Nossa missão é entregar IA em todas as camadas: SaaS, plataforma e infraestrutura. Temos soluções para empresas que querem começar de forma gradual, assim como para aquelas que já estão 'colocando a mão na massa'”, explica Leandro.
Segundo a Oracle, o foco principal é ajudar as companhias a desbloquearem oportunidades, utilizando alta tecnologia e as melhores práticas com inteligência artificial. “Elas estão começando a perceber que LLMs como o ChatGPT são apenas peças de uma construção maior, e queremos ser o parceiro delas nessa jornada”, finaliza Leandro.









