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Por Solis Investimentos

Atualizado

Marcado por turbulências econômicas e políticas nos cenários nacional e internacional, o ano que está para terminar foi bastante desafiador para o mundo dos investimentos. No mercado de crédito privado, os gestores precisaram se desdobrar para rentabilizar o capital de seus investidores em meio a um ambiente de inadimplência em alta e casos notórios de empresas pedindo recuperação judicial, que acabaram por impactar o desempenho dos fundos que investem nessa classe de ativo.

Foi um ano em que a indústria de fundos acumulou resgates líquidos. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), até o fechamento de outubro, foram mais de R$ 70 bilhões em retiradas. Na contramão, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) acumularam captação líquida positiva de R$ 11,1 bilhões no mesmo período. Esse desempenho mostra o quanto os investidores vêm reconhecendo os atributos dos FIDCs para trafegar por períodos mais turbulentos, ao agregar proteção e retorno com baixa volatilidade.

Porém, a robustez dos FIDCs só é efetiva quando está vinculada a um processo de gestão ativa. “Uma série de desafios afetou a indústria de crédito em geral. Para lidarmos com eles, fizemos uso de todo o ferramental proprietário que desenvolvemos para analisar, acompanhar e controlar os FIDCs que gerimos ou investimos. Intensificamos as atividades de monitoramento, atuamos proativamente junto a gestores e originadores para que elevassem suas réguas de crédito, propusemos refinamentos nas regras de provisionamento para os administradores e acompanhamos de perto as atividades de cobrança”, pontua Ricardo Binelli, sócio-diretor da Solis Investimentos, empresa referência em gestão, originação e estruturação de FIDCs. O fundo Solis Antares, nesse contexto, acumula retorno equivalente a 112,4% do CDI nos últimos 12 meses.

“Foi tão intenso que foi como se nossa semana tivesse oito dias”, diz Delano Macêdo, sócio-diretor da Solis. “Além de todo o reforço em nossas atividades de gestão de crédito, refinamos também nossos portfólios e modulamos o valor investido em cada fundo, de forma a reduzir estatisticamente os riscos. Se antes investíamos em 80 a 90 FIDCs, hoje são mais de 110”.

Momento de virada

O ano também foi marcado por uma mudança importante na trajetória desses produtos, que foram introduzidos no mercado brasileiro em 2001. Desde o último dia 2 de outubro, os FIDCs deixaram de ser de acesso exclusivo para os investidores qualificados, que têm mais de R$ 1 milhão investido, e agora estão ao alcance de todos os níveis e perfis de investidores brasileiros. “A mudança abre novas possibilidades para a expansão dos FIDCs e a Solis está preparada para este novo momento: no primeiro semestre de 2024, vamos oferecer um novo produto para este público”, anuncia Binelli.

Entre os principais diferenciais dos FIDCs está a possibilidade de obter retornos mais elevados em renda fixa, com a proteção do crédito estruturado. As cotas desses fundos são divididas em duas classes: as seniores e as subordinadas. As primeiras não se relacionam às demais para fins de amortização e resgates, o que garante a elas maior proteção em caso de eventos adversos. São justamente as cotas seniores que constituirão os fundos de FIDCs oferecidos ao investidor de varejo, de forma a limitar a sua exposição a risco.

Mas a existência de uma estrutura consistente de proteção não deve ser entendida como suficiente pelo investidor de varejo que passará a investir em FIDCs. O conhecimento de causa e a especialização do gestor são outros pontos que devem ser observados.

“Além de fazer todo o trabalho prévio, é fundamental fazer o acompanhamento, garantir que a rentabilidade será preservada. Neste sentido, a expertise da gestora e capacidade de monitoramento fazem toda a diferença”, reforça Delano. A Solis se enquadra na descrição: mantém equipes dedicadas e ferramentas proprietárias que trabalham em um monitoramento minucioso para a gestão ativa das carteiras de FIDCs.

Além disso, diante dos juros elevados e das restrições do crédito bancário, em 2023 os FIDCs atuaram como apoio fundamental ao financiamento de empresas de todos os portes. O produto se consolidou em 2022 como a principal fonte de financiamento para startups e fintechs, como aponta uma pesquisa realizada pela consultoria PwC. Também é utilizado por grandes empresas nacionais para garantir a captação de recursos de forma desbancarizada e em condições competitivas. “Nosso time de originação analisou mais de 40 operações que nos foram trazidas por players que manifestaram interesse em captar recursos através de FIDCs”, lembra Delano.

Fusão bem-sucedida

Referência no setor de FIDCs, com um time que atua com esses fundos específicos desde 2005, a Solis Investimentos deu um novo passo na consolidação de seu posicionamento como “casa dos FIDCs” com a fusão realizada com a CDP Capital. “Uma de nossas metas para este ano era consolidar a operação. E fomos bem-sucedidos”, celebra Binelli.

Para 2024, a Solis Investimentos avalia que é possível que o investidor busque diversificação por maiores retornos, mas o movimento não deve ser tão significativo para motivar uma migração acelerada dos FIDCs, dado que dentre as opções de renda fixa, é uma das que melhor remunera. A empresa enxerga um certo comedimento no ritmo de captação, mas continua vendo os FIDCs se consolidando, seja pela entrada do investidor de varejo, seja pela expansão do seu uso como instrumento de captação de recursos pelas empresas.

“Entendemos a evolução do mercado dos FIDCs como um movimento estrutural, alinhado com o desenvolvimento do mercado de crédito brasileiro, e estamos bem posicionados para continuar colaborando com esse processo”, resume Delano.

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Mais recente Próxima Mercado de FIDCs chega a momento de virada no Brasil
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