Estudo inédito atribui 2,1% do PIB brasileiro a JBS
Mapeamento, realizado pela Fipe, ainda revela que cadeia de produção de todas as atividades econômicas relacionadas a empresa é responsável pela geração de 2,7% das vagas de trabalho do país
Agricultura, pecuária, produção florestal e fabricação de artefatos de couro, biocombustíveis, químicos, produtos de limpeza, produtos farmoquímicos e de metal. Energia elétrica, comércio por atacado e varejo, fabricação de defensivos e de produtos de borracha. Telecomunicações, intermediação financeira, atividades imobiliárias e jurídicas, logística, serviços pessoais.
Estas são apenas algumas das áreas da economia ligadas à cadeia da indústria de alimentos. Além de cumprir a missão de garantir a sobrevivência da humanidade, num cenário de crescimento populacional precisamente nas regiões mais carentes do planeta, as empresas que formam o setor compõem um mercado pujante, dinâmico e diversificado.
O setor tem importância enorme para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, a geração de empregos diretos e indiretos e a capacidade exportadora do país. A constatação foi confirmada, e traduzida em números, por um levantamento inédito a respeito da JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo.
Modelagem de insumo-produto
O estudo foi realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) via Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo (Nereus). Concluiu que a companhia e as cadeias produtivas ligadas a ela movimentam 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, além de contribuir para a geração de 2,7% das vagas de trabalho.
Baseado nos dados relativos aos anos de 2020 e 2021 e produzido ao longo de todo o ano de 2022, o levantamento, liderado por Eduardo Amaral Haddad e Carlos Roberto Azzoni, mediu o tamanho da cadeia de produção de todas as atividades econômicas relacionadas à JBS. Ele determinou a importância de cada grupo de práticas por meio da análise de modelagem de insumo-produto – uma técnica que procura mapear a economia como uma série de setores interligados.
A equipe, que contou com o trabalho dos pesquisadores Ademir Rocha, André Squarize Chagas, Fernando Salgueiro Perobelli, Inácio Fernandes de Araújo, Leonardo Merlini e Pedro Acioly, levou em consideração produção, capital, consumo das famílias, exportações, insumos, trabalho e terra, entre outros fatores. Ao todo, foram analisados 67 setores e 127 produtos.
“Para nós, que como empresa completamos 70 anos agora em 2023, esse estudo é de extrema importância, pela evidência que ele apresenta de como a indústria de alimentos é positiva para o país. Gera muitos empregos diretos e indiretos, além de ter uma cadeia longa de fornecedores e clientes, estimulando uma grande porção da economia”, afirma Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS.
Ganho de produtividade
A JBS conta com 145 mil colaboradores em unidades, centros de distribuição e escritórios no Brasil. Mas o número de vagas ligadas às cadeias de produção da companhia vai muito além: somou 2,9 milhões de pessoas, segundo a pesquisa da Fipe. Seu impacto positivo para a economia se traduz em um exemplo concreto, analisado pelo estudo: a planta da empresa em Barra do Garças (MT).
O levantamento indica que, sempre que uma unidade é inaugurada, ela passa a gerar um impacto composto por quatro efeitos que se acumulam. O inicial, formado pelo investimento nas obras, é seguido pelo efeito direto, caracterizado pela atuação dos fornecedores de insumos que prestam serviço para a JBS.
Na sequência, vem o indireto, com os impactos ao longo de toda a cadeia de suprimentos, e o efeito renda, resultado da indução da atividade econômica ao longo de toda a cadeia. Chega-se assim ao efeito total. Os valores movimentados a cada etapa em Barra do Garça (MT), são, pela ordem, R$ 100 milhões, R$ 81 milhões, R$ 244 milhões, R$ 199 milhões e R$ 535 milhões.
O impacto se reflete na geração de postos de trabalho. Ainda de acordo com o levantamento, para cada emprego que a JBS gera nesta unidade em específico, são impulsionadas outras seis vagas no Mato Grosso e mais 22 no Brasil. A empresa mantém unidades de produção em mais de 130 municípios.
“A JBS induz ganho de produtividade no município onde se instala e crescimento da atividade econômica em toda a região”, constata a pesquisa, que também aponta que as cidades de atuação da empresa apresentam maior redução em taxa de abandono do ensino fundamental da rede privada e menor taxa de abandono do ensino médio da rede pública. “Ou seja, os municípios em que a JBS está presente e seus vizinhos estão ao menos tão bons, ou melhores, que municípios similares”.









