O impacto da Internet das Coisas na mineração
Como a transformação digital revoluciona a mineração melhorando a eficiência operacional, a segurança e a responsabilidade ambiental
A mineração, setor vital para a economia global, está passando por uma revolução silenciosa, mas significativa. No coração dessa transformação está a Internet das Coisas (IoT), uma tecnologia que está redefinindo como as operações mineradoras são conduzidas.
Imagine um cenário onde equipamentos pesados e veículos subterrâneos são monitorados em tempo real, com dados coletados e analisados instantaneamente para prever falhas antes que aconteçam. Essa é a revolução que a IoT está trazendo para o setor de mineração.
Além de otimizar rotas e monitorar condições críticas, a IoT também permite a operação remota de equipamentos, uma tecnologia já empregada tanto na mineração subterrânea, aumentando a segurança operacional, quanto na mineração a céu aberto, possibilitando a descaracterização de barragens em níveis de emergência que limitam o acesso de operadores. Dentro desse cenário inovador, o Brasil se destaca com iniciativas pioneiras que mostram como a tecnologia pode enfrentar até os desafios mais complexos do setor.
Recurso tecnológico importante na transformação digital da mineração, a IoT permite melhorar a gestão e as operações das minas. “Ela conecta ativos, coletando e analisando dados em tempo real”, resume Leandro Rossi, diretor executivo da Mining Hub, que atua como um hub aberto à contribuição das mineradoras, tanto no apoio a startups que desenvolvem essas tecnologias quanto na implementação das soluções em suas operações.
Aplicações da IoT na mineração
No dia a dia das mineradoras, explica Rossi, a IoT é aplicada em diversas frentes, como no monitoramento contínuo de equipamentos críticos, sensores em caminhões de transporte e perfuratrizes para otimizar rotas e consumo de combustível, além de sistemas de telemetria que capturam dados sobre condições de operação e desgaste de componente.
Mas o que fazer com este volume de dados coletados? O mais importante é que ganhamos escala na coleta, tratamento dos dados e como consequência melhores análises.
Segurança e saúde
O país é destaque mundial na prevenção de acidentes e de melhoria de produtividade por meio de uma ferramenta de detecção de sono na mineração. Sensores acoplados a óculos especiais detectam os reflexos das pálpebras. Um processador integrado faz a digitalização 500 vezes por segundo.
No exterior, há experiências como a de uma mineradora que adotou sensores vestíveis programados para aumentar a segurança dos trabalhadores que atuam em minas subterrâneas.
Ainda no que se refere a segurança, cita Rossi, já se vê o uso de sensores IoT que podem detectar condições perigosas, como níveis elevados de gás ou falhas estruturais, e acionar alertas instantâneos, prevenindo acidentes e melhorando a resposta a emergências.
“A IoT está cada vez mais inserida no setor de mineração, trazendo ganhos em diferentes frentes. Desde os cuidados com a saúde dos trabalhadores até a redução do uso de insumos, a proteção do meio ambiente e o ganho de produtividade”, cita Raul Jungmann, diretor presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
Patrimônio preservado
De acordo com Rossi, a manutenção preditiva, impulsionada pelos dados gerados pelos dispositivos IoT, não apenas reduz o tempo de inatividade inesperado, mas também aumenta a disponibilidade dos ativos.
Rossi cita outro exemplo prático: o uso de sensores IoT para monitorar a integridade de equipamentos, prevenindo falhas antes que elas ocorram. “Isso não só aumenta a vida útil dos ativos, mas também melhora a segurança das operações”, salienta.
Outro uso, acrescenta o diretor executivo da Mining Hub, é a integração de dados coletados por dispositivos IoT em plataformas de análise avançada e dashboards. “Isso permite que os gestores tomem decisões informadas e em tempo real.”
Aspectos ambientais
Administrar uma operação com a ajuda da IoT pode também refletir em ganhos no uso de recursos como água e energia, além de garantir a conformidade com regulamentações.
Em termos ambientais, completa Rossi, a IoT facilita o monitoramento contínuo de emissões, uso de água e gestão de resíduos, permitindo às mineradoras identificar e mitigar os impactos de forma mais eficiente. “Isso é crucial não só para a conformidade regulatória, mas também para atender às expectativas sociais e de sustentabilidade”.
Segundo Rossi, a Mining Hub faz um trabalho a partir de temas priorizados pelas mineradoras em função das demandas voltadas à inovação aberta. Atualmente, essas são as frentes com mais iniciativas:
Descarbonização: soluções para reduzir as emissões de carbono e apoiar a transição para uma mineração mais sustentável.
Fontes de energias renováveis: iniciativas que promovam o uso de energias limpas e renováveis nas operações mineradoras.
Excelência operacional: tecnologias que melhorem a eficiência, produtividade e segurança das operações.
Gestão de rejeitos e resíduos: inovações para a gestão segura e eficiente dos resíduos gerados pela mineração.
Desenvolvimento social: projetos que impactem positivamente as comunidades ao redor das operações mineradoras.
Gestão de água: soluções para o uso sustentável e eficiente da água.
Saúde e segurança operacional: tecnologias que protejam os trabalhadores e melhorem as condições de trabalho nas minas.









