Caminho para gestão eficiente e decisões acertadas está na combinação de dados e IA
Para CEO da consultoria Falconi, em cinco anos praticamente todas as empresas dependerão dessa estratégia para operar com eficácia
Dados e inteligência artificial (IA) são hoje o alicerce para decisões acertadas, gestão eficiente e entrega de serviços ou produtos de qualidade. A avaliação é de Alexandre Ribas, CEO da maior consultoria brasileira de gestão empresarial, a Falconi:
— Não se pode mais falar de competitividade e sustentabilidade empresarial sem ter essa dupla como diferencial e garantia de longevidade para as organizações — disse em Nova York, ao final do Summit Valor Econômico Brazil-USA.
A opinião do executivo resume boa parte das pautas debatidas por líderes empresariais brasileiros e americanos no encontro. Para Ribas, a discussão já saiu do “quando” para o “quanto”, pontuando que, agora, a questão maior é determinar o quanto, juntos, dados e IA são capazes de entregar.
Para o CEO da Falconi, somente quem se adiantar nessa frente terá, nos próximos anos, diferencial competitivo para oferecer serviços e produtos em escalas regional e global.
— As discussões convergiram para uma certeza: em cerca de cinco anos, praticamente todas as empresas, sejam elas públicas ou privadas, terão uma gestão amplamente baseada em dados, com forte uso de IA. É a saída de cena da intuição, quando o gestor passa a contar com dados organizados e confiáveis para fundamentar as mais diferentes decisões, não importando se visam o curto, o médio ou o longo prazo.
Para Ribas, a IA transforma profundamente o cotidiano das organizações em outra frente, a da gestão do tempo. Ao automatizar tarefas repetitivas, libera os times para o que realmente importa: pensar estrategicamente, inovar e construir o melhor serviço ou produto.
— A tecnologia, inclusive, ajuda empresas a encontrar desperdícios, aprimorar processos e a operar com menos custos e mais produtividade — comentou o CEO da Falconi.
Na prática, o uso de tecnologia permite às empresas privadas se prepararem melhor para os desafios que colocam o desempenho em xeque – sejam eles incertezas geradas por guerras tarifárias, conflitos geopolíticos, crises econômicas ou até climáticas. No setor público, o impacto é ainda mais transformador. Com a aplicação da IA, é possível melhorar a mobilidade urbana, identificar gargalos na segurança e elevar a eficiência de toda a máquina pública.
— Os cidadãos agradecem, pois é patente a melhoria de qualidade em serviços mais rápidos, personalizados e, principalmente, entregues — disse o executivo, citando como caso de sucesso a administração pública do Piauí.
Desafios
Mas ainda há muito a ser feito, e o Brasil precisa correr para não perder a onda. Segundo dados da pesquisa TIC Empresas 2024, feita pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, somente 13% das empresas brasileiras usaram ferramentas de IA em 2024. A causa está na dificuldade de compreensão da tecnologia e no custo alto. Mas ambos os desafios podem ser vencidos com duas estratégias.
Segundo Ribas, o primeiro passo é tratar a qualidade dos dados — de nada adianta algoritmos sofisticados se os dados forem imprecisos, desorganizados ou incompletos na empresa. É preciso, portanto, investir em governança, integridade e estruturação dessas informações. Também não se consegue avançar sem tratar do segundo ponto fundamental na equação dos bons gestores: a capacitação das pessoas.
Não se trata apenas de investir em IA, mas de mudar a forma de pensar o negócio – uma jornada que exige dos gestores clareza, propósito e método:
— Os líderes precisam abraçar e propagar esses conceitos para que as empresas avancem com consistência. Implementar cultura de dados e IA não é modismo. É um movimento necessário, estratégico e irreversível. Pois aumenta a eficiência operacional, cria valor e sustenta a inovação de forma contínua — concluiu o CEO da consultoria.









