A orquestração por trás da velocidade do Pix
Com recorde de 313,3 milhões de transações em um único dia, meio de pagamento instantâneo depende de uma rede segura e preparada para operar sem interrupções
Quando lançou oficialmente o Pix, em novembro de 2020, o Banco Central (BC) trabalhava com a perspectiva de que o sistema alcançasse duas mil transações por segundo em 2024. O volume foi alcançado muito antes, em 2022. Atualmente, são três mil movimentações, em média, por segundo, com a perspectiva de alcançar até dez mil.
A solução segue ganhando novas aplicações. Como aponta o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, apresentado pela entidade em agosto de 2026, as novidades incluem o uso por aproximação, o Pix automático, o agendamento recorrente e os avanços na integração com o ecossistema do Open Finance. Enquanto isso, o Pix internacional segue em desenvolvimento.
O meio de pagamento eletrônico se tornou um fenômeno de popularidade entre os brasileiros e de democratização no acesso ao sistema financeiro. Foi com ele que 72 milhões de pessoas utilizaram serviços bancários digitais pela primeira vez. Em julho de 2026, quase oito bilhões de transações foram realizadas, com a circulação de R$ 3,8 trilhões. No primeiro semestre do ano, foram movimentados R$ 19,8 trilhões, um recorde que representa 28% de aumento em relação ao mesmo período do ano anterior.
“A ideia de criar o Pix surgiu em 2013, quando o órgão comunicou o mercado a respeito da demanda: era preciso criar um sistema de pagamento 24 horas por dia, eficiente e rápido o suficiente para ser utilizado em substituição ao dinheiro. Em 2018, o BC decidiu resolver ele mesmo essa questão, inspirado em sistemas internacionais semelhantes”, relata Caio Fernandes, chefe do Departamento de Tecnologia do Banco Central. “Esse acabou sendo o sistema de pagamentos mais bem-sucedido do planeta, no sentido de ser o mais rapidamente adotado pela população, precisamente porque oferece um serviço eficiente e seguro, graças à infraestrutura mobilizada para suportar o volume de transações”, acrescenta.
Estrutura complexa
Mas o que acontece nos bastidores de uma transação Pix para que o dinheiro chegue ao destino em poucos segundos? Por trás da simplicidade de um pagamento pelo celular, há uma infraestrutura robusta de conectividade e redes dedicadas, que conecta as instituições financeiras ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI). É ele que funciona como o motor de liquidação financeira e assegura que as transações Pix sejam concluídas em menos de dez segundos. Essa conexão é apoiada pela Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN), uma infraestrutura segura e privada de telecomunicações e dados usada para trafegar mensagens entre instituições financeiras e o Banco Central.
São atividades baseadas em circuitos certificados, que fornecem links de dados de alta resiliência, redundância e segurança regulados pela autoridade monetária nacional – também contam com provedores homologados para transportar as mensagens de pagamento com criptografia de ponta a ponta e baixa latência.
“No dia de recorde de movimentação, em 5 de dezembro de 2025, o Pix registrou 313,3 milhões de operações em 24 horas, movimentando um valor total de R$ 179,9 bilhões. A Claro empresas provê a infraestrutura para esse sistema rodar. Abraçamos o desafio de contribuir para o desenvolvimento de um sistema de pagamento instantâneo, que rapidamente ganhou escala para muito além do esperado”, afirma Gustavo Silbert, Diretor de B2B para Grandes Empresas e Governo da Claro.
Mais do que prover a conexão necessária para o funcionamento do Pix, a Claro empresas atua como orquestradora e habilitadora do sistema financeiro, articulando tecnologias, parceiros e soluções para responder às demandas de um ecossistema que precisa operar de forma contínua e acompanhar a evolução dos meios de pagamento.
“É uma estrutura resiliente e complexa, formada por duas redes que rodam em paralelo, com acessos, equipamentos e backbones distintos. Mantemos equipes dedicadas à solução, que precisa de prontidão e segurança. Não pode parar, 24 horas por dia, sete dias por semana”, comenta Raquel Possamai, diretora para Mercado Financeiro da Claro empresas.
Com a consolidação do Pix e o avanço dos canais digitais, a conectividade passou a ter impacto direto na experiência dos clientes e na capacidade de as instituições financeiras ampliarem seus serviços.
“A Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN) é uma infraestrutura crítica para o mercado financeiro, garantindo conectividade segura, resiliente e de alta disponibilidade para sustentar a operação e a estabilidade do sistema financeiro brasileiro”, diz Marcio Castro, CEO da Rede de Telecomunicações para o Mercado (RTM), que atua em uma das redes junto com a Claro empresas.
Instituições financeiras na mão
Como aponta a edição mais recente da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, 83% das 240,8 bilhões de transações realizadas pelos brasileiros em 2025 aconteceram em canais digitais, ou seja, pelo celular e por soluções de internet banking, sendo que os smartphones responderam por 78% do total e os computadores, por 5%. O total de heavy users das duas opções também cresceu, o que atesta a alta aderência dos clientes, impulsionados por uma oferta de soluções cada vez mais personalizadas.
“A capacidade de difusão de conectividade para todo o país, especialmente por intermédio dos celulares, é um fator importante para a democratização do acesso ao sistema bancário. Essa combinação potencializa a inclusão social e financeira”, aponta Raquel Possamai.
A Claro empresas presta contas continuamente ao BC a respeito do desempenho da infraestrutura de apoio ao Pix. E segue investindo no fortalecimento e na ampliação da tecnologia e da conectividade, de forma que a solução siga acompanhando as demandas da sociedade.









