Casas Bahia amplia rentabilidade em último trimestre
Resultado reflete avanços em várias frentes do negócio e redução de despesas
O Grupo Casas Bahia divulgou, no dia 13 de novembro, os resultados do terceiro trimestre de 2024 (3T24). Os números mostraram avanços importantes em vários aspectos do negócio, alinhados aos objetivos definidos no Plano de Transformação da companhia, iniciado no ano passado.
Um dos principais destaques é o crescimento das margens operacionais pelo quarto trimestre consecutivo. No 3T24, o lucro bruto da empresa foi de R$ 2 bilhões, com margem bruta de 31,6%, o que representa um ganho de 8,6 pontos percentuais (p.p.) em relação ao 3T23 e uma melhora sequencial de 0,9 p.p. em relação ao trimestre anterior. Outros resultados relevantes foram o aumento da receita em lojas físicas, serviços e crediário e a redução de despesas.
A receita bruta do Grupo totalizou R$ 7,6 bilhões no trimestre, valor 2,8% menor que a do 3T23. Essa queda foi causada, principalmente, pela decisão estratégica de deixar de vender diretamente produtos de baixa rentabilidade, especialmente no e-commerce, que recuou 20,1%. Em contrapartida, houve aumento da arrecadação nas lojas físicas (+7,1%) e no marketplace (+24,1%), impulsionada por serviços financeiros e mudança de mix de produtos, respectivamente.
Segundo Gabriel Succar, head de relações com investidores, os números refletem a estratégia de focar rentabilidade, ajuste na alocação de capital e priorização de categorias estratégicas (“chamadas de core pela cia”). Essa nova abordagem tem trazido ganhos estruturais e consistentes, com ênfase em canais de venda mais rentáveis e em um mix de itens mais equilibrado. “Abrimos mão de produtos que não eram muito lucrativos”, afirma Succar.
Outro fator relevante para o crescimento das margens operacionais é a ampliação das vendas de serviços e soluções financeiras, que, em conjunto, passaram a representar 16% da receita líquida da companhia.
A arrecadação de serviços subiu 28,1%, com destaque para vendas de seguros, garantia estendida, comissões e serviços no marketplace e serviços de logística para os parceiros e clientes. Já as soluções financeiras, incluindo a oferta de crédito, cresceram 37,8% no período. A carteira de crediário do Grupo atingiu sua máxima histórica de R$ 5,7 bilhões, com um crescimento anual de 7,4% e uma participação de 9% nas vendas digitais — a maior já registrada. “Nas lojas físicas, entre 25% e 30% das transações são no carnê”, diz Succar.
CORTE DE DESPESAS
O Grupo Casas Bahia, que reúne e-commerce, lojas das marcas Casas Bahia e PontoFrio, operações do Extra.com.br, soluções financeiras do banQi, a fábrica de móveis Bartira e a CB Full, também vem realizando um importante trabalho de corte de despesas com vendas, gerais e administrativas. No trimestre, a redução foi de 2,8%, estabilizando a participação das despesas em relação à receita líquida em 24,9%, equivalente a uma economia anual de R$ 47 milhões.
De janeiro a setembro, a companhia reduziu as despesas em 6,6%, na comparação com o mesmo período de 2023, o que representa uma economia de R$ 336 milhões. Entre as medidas que contribuíram para esse resultado estão a redução de despesas de pessoal, serviços de terceiros e contenção de gastos trabalhistas.
Outros destaques foram: (i) o lançamento da solução logística “full cross”, que permite aos fornecedores e parceiros do marketplace armazenarem seus produtos nos centros de distribuição da empresa; (ii) a implementação de uma nova ferramenta de precificação com inteligência artificial; e (iii) os resultados da plataforma de retail media, que registrou crescimento de receita de 38% em relação ao trimestre anterior e mais 400% em comparação ao 3T23.
Esse conjunto de resultados teve forte impacto na melhoria da geração de caixa, que vem evoluindo ao longo da implementação do Plano de Transformação. No 3T24, a companhia alcançou R$ 491 milhões em Ebitda, valor que havia ficado em R$ 66 milhões negativos no mesmo período do ano anterior.
Segundo Succar, a tendência é que os resultados continuem melhorando no quarto trimestre, período sazonalmente forte para o varejo, e ao longo do próximo ano, com uma geração de fluxo de caixa livre crescente.
“Em 2025, a companhia deverá atingir o equilíbrio entre crescimento e rentabilidade, que será o ponto de partida para voltarmos a apostar mais em expansão a partir de 2026”, conclui o executivo.









