Sinal verde da SEC para negociação de ETFs de bitcoin movimenta mercado financeiro global
Aprovação do regulador dos EUA tende a atrair capital de investidores institucionais para fundos baseados na criptomoeda
A chancela da Securities and Exchange Commission (SEC), que atua nos Estados Unidos de forma semelhante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil, para a negociação de 11 ETFs (Exchange Traded Fund) de bitcoin, anunciada em 10 de janeiro, movimentou o mercado de capitais em todo o mundo. Gestoras renomadas no mercado como BlackRock e Fidelity, além de casas especializadas em criptoativos, como a Grayscale e a brasileira Hashdex, já estão negociando os ETFs de bitcoin no mercado americano.
“A aprovação marca um novo patamar de aceitação, maturidade e popularização do mercado de criptoativos, promovendo mais credibilidade à indústria e abrindo potencial para mais inovação. Os ETFs de bitcoin facilitarão o acesso ao mercado de criptoativos, atraindo mais investidores e liquidez”, afirma Richard Teng, CEO da Binance.
Ao incluir os ETFs de bitcoin no portfólio de produtos, as gestoras oferecem aos investidores uma integração segura entre o mundo das criptomoedas e os sistemas financeiros tradicionais. Teng ressalta que a indústria de criptomoedas está diante de um capítulo histórico.
“Os ETFs de bitcoin facilitarão o acesso ao mercado de criptoativos, atraindo mais investidores e liquidez. Embora não seja fácil antecipar a escala de novos entrantes e as dinâmicas de mercado (as quais estão sujeitas às próprias dinâmicas de mercado), é útil notar que a introdução dos ETFs de ouro em 2004 resultou em sete anos de ações positivas de preço”, afirma Teng.
No mercado financeiro, o ETF é um fundo muito utilizado para dar acesso a investidores a uma cesta de ações de companhias negociadas em Bolsa. O ETF costuma ser um produto indicado para investidores que querem diversificar sua carteira. Em vez de aplicar o dinheiro em uma só empresa, o ETF permite investir em um grupo de ações. Os ETFs são baseados nos índices de ações como S&P 500 ou Dow Jones.
No caso dos ETFs de bitcoin, o investidor que optar por esse tipo de fundo vai ter um produto que segue o comportamento da criptomoeda. É mais uma opção para o investidor ter bitcoin na sua carteira. A diferença é que ele não vai comprar a criptomoeda diretamente de uma plataforma que negocia bitcoin, o investimento será feito por um fundo negociado em Bolsa.
Aprovação dos ETFs agrada a gestores
Comprometida com a missão de disseminar informações sobre a indústria de criptoativos, a Binance organizou um debate para que os investidores tenham ciência da importância desse momento para o mercado. A exchange convidou Fábio Frontini, fundador da Abraxas Capital, Martin Bednall, CEO da Jacobi Asset Management, e David Fauchier, PM da Nickel Digital, para participar do VIP Top Voices, ampliando o debate sobre os ETFs cripto.
Fábio Frontini ressalta que a aprovação do ETF aumenta a credibilidade e a aceitação dos ativos digitais no universo das finanças tradicionais. Esse movimento tende a aumentar também a participação de investidores institucionais.
“Embora os ETFs geralmente melhorem a estabilidade dos preços, o impacto sobre o bitcoin ainda é incerto. No entanto, a aprovação regulamentar incorporada nos ETFs é significativa e provavelmente inspirará confiança e incentivará uma maior participação no espaço dos ativos digitais”, diz Frontini.
Na análise de Martin Bednall, CEO da Jacobi Asset Management, a aprovação dos ETFs Bitcoin pela SEC tende a influenciar os reguladores em todo o mundo, incluindo a Financial Conduct Authority (FCA), do Reino Unido. Há um efeito claro também desse movimento entre os investidores institucionais, que poderão reconsiderar a sua posição em relação às criptomoedas, diz Bednall.
Na Jacobi Asset Management, os esforços para o lançamento de um ETF de bitcoin regulamentado representaram cerca de três anos de trabalho, enfrentando desafios regulatórios e mudanças de mercado. A asset lançou o primeiro ETF regulamentado na Europa.
“A perseverança foi essencial. Nosso objetivo era tornar a cripto mais acessível a investidores institucionais e qualificados, focando também na educação daqueles que são novos no mundo cripto. Esse aspecto educacional é crítico”, ressalta Bednall.
Educação financeira é crucial para incentivar ETFs de bitcoin
Os gestores não esperam uma migração imediata para os ETFs de bitcoin, mas enxergam que o aval da SEC para esse instrumento torna mais fácil a escolha das equipes de investimentos por esse produto. “A recente aprovação da SEC vai catalisar um efeito de bola de neve, encorajando uma aceitação e um investimento mais amplos”, afirma Bednall.
Fábio Frontini também destaca a importância da educação para estimular os investidores a optar pelos ETFs Bitcoin. Na visão de Frontini, a chave para que os investidores sejam estimulados a investir em ETFs é a educação.
Não basta que esses produtos estejam regularizados no ecossistema do mercado financeiro, é preciso que o investidor conheça o produto e reconheça seu potencial. Para o fundador da Abraxas Capital, a flexibilidade oferecida pelos ETFs de bitcoin permite diversificar estratégias.
“A simples presença de ETFs no ecossistema não garante uma adoção generalizada. Muitos gestores de fortunas hesitam em recomendar esses produtos devido à falta de compreensão. Educação e informação são vitais”, diz Frontini. “Além disso, os ETFs podem ser utilizados como garantia para estratégias mais complexas, ampliando o seu apelo e utilização. Contudo, essa mudança não acontecerá da noite para o dia; a educação e a aceitação gradual desempenharão papéis cruciais”, completa.
David Fauchier, PM da Nickel Digital, está otimista com a capacidade de o mercado absorver entradas de ETFs. “Mesmo com entradas substanciais, dados os volumes diários à vista e de derivativos em bitcoin, não prevejo que o mercado pare. Arbitragens com capital adequado podem realocar liquidez de forma eficiente. Portanto, embora os spreads possam ser os melhores durante todo o ano, não espero inutilização do blockchain ou interrupções significativas.”.
Marco para o setor
Na indústria de criptoativos, a aprovação da SEC para a negociação de ETFs de bitcoin representa um marco. Richard Teng destaca que esse aval do regulador americano é um capítulo histórico na indústria de criptomoedas por consolidar um novo patamar de maturidade dos criptoativos.
Além de aumentar a credibilidade nos ativos digitais, a negociação dos ETFs expande a base de investidores. Teng observa que os ETFs são mecanismos de baixo custo e instrumentos já conhecidos por investidores, o que facilitará o acesso à inclusão de criptomoedas na carteira de investimentos.
O CEO da Jacobi Asset Management também destaca que a incorporação de criptoativos na estrutura de ETF cria um elo vital entre o ecossistema de ativos digitais e as finanças tradicionais.
“Pessoas familiarizadas com finanças tradicionais sabem como negociar ETFs. Ao incluir a exposição às criptomoedas nesses ETFs, melhoramos a conectividade entre esses mundos. A utilização de ETFs reforça essa ponte, tornando a transição mais suave para aqueles que estão habituados ao sistema financeiro tradicional”, diz Bednall.
Até o momento, os ETFs de bitcoin aprovados pela SEC são: BTCW – Wisdom Tree; GBTC – Grayscale Bitcoin Trust; IBIT – BlackRock;EZBC – Franklin Templeton Bitcoin; BRRR – Valkyrie Bitcoin Fund; BTCO – Invesco Galaxy Bitcoin; DEFI – Hashdex Bitcoin;HOLD – VanEck Bitcoin Trust; FBTC – Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund; BITB – Bitwise Bitcoin; ARKB - Art Invest.









