Risco climático entra de vez na agenda empresarial
Eventos extremos e normas regulatórias pressionam companhias a integrar adaptação e mitigação às estratégias de negócio
Desastres relacionados ao clima já impactam diretamente economias e operações empresariais, tornando o risco climático um indicador concreto para setores público e privado. De acordo com dados da Nasa, o aquecimento global acelerou: a taxa passou de 0,2 °C por década, em 1970, para 0,27 °C atualmente. O ano de 2024 foi o mais quente da história.
O cenário brasileiro também evidencia a gravidade do problema. Segundo informações do relatório da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, elaborado com apoio do governo federal e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), entre 2020 e 2023 foram em média 4.077 ocorrências por ano, quase o dobro da média anual de 2.073 registrada nas duas décadas anteriores, de 2000 a 2019.
Diante desse contexto, governos, iniciativa privada e sociedade civil são pressionados a buscar estratégias de prevenção e mitigação desses efeitos. Para Danilo Maeda, diretor-geral da Beon, hoje já temos diversos exemplos de como fenômenos climáticos afetam os negócios. “Isso impõe às empresas uma gestão de riscos mais abrangente. É preciso se adequar a essa realidade para evitar perdas e aumentar a resiliência da infraestrutura”, analisa.
Adaptação no centro da estratégia
Duas frentes orientam a ação nesse cenário: adequação e mitigação. A primeira consiste em preparar a sociedade, as companhias e suas instalações para enfrentar ocorrências em curso. Para alcançar a segunda, é necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa e remover carbono da atmosfera para conter o avanço do aquecimento global.
Tais conceitos estão no centro do Acordo de Paris — assinado por 194 países e a União Europeia, que se comprometeram a criar estratégias para evitar que o planeta alcance a marca de 1,5 °C acima da temperatura global. E, assim como orientam políticas globais, esses eixos também se refletem no ambiente corporativo. Na visão de Maeda, “olhar para os riscos é importante para a própria sustentabilidade do negócio e pode ser também uma oportunidade de captação de recursos a custos mais baixos ou de criação de soluções para descarbonizar e adaptar melhor a cadeia de valor”.
Ele ressalta, ainda, que organizações resistentes em adotar novas práticas correm o risco de ficar para trás. “Mesmo sob a ótica estritamente financeira, riscos climáticos são intrínsecos ao negócio. Não os considerar seria agir contra os interesses dos acionistas”, diz o diretor-geral da Beon.
Da norma à ação
Para além dos compromissos assumidos em acordos multilaterais, a evolução das normas nacionais e internacionais tem pressionado as lideranças pela incorporação de riscos climáticos em suas estratégias de negócios . No Brasil, esse movimento é mais evidente para as companhias de capital aberto, com a adoção, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), dos padrões internacionais IFRS S1 e S2.
“A regulação tem um papel importantíssimo para o mercado, porque nem todos os agentes vão avançar por livre iniciativa e por entender que essa agenda faz sentido. Às vezes, a regulação precisa impor algumas coisas para que o mercado como um todo avance”, observa Maeda.
Se a regulação estabelece parâmetros mínimos, o desafio seguinte é transformar essas diretrizes em ações concretas. Nesse cenário, segundo o diretor-geral, a Beon atua como parceira nas iniciativas. “Nossa abordagem prepara a empresa para ser mais resiliente e capaz de identificar as melhores oportunidades de financiamento. Para isso, mapeamos riscos e traduzimos o que isso significa para cada organização”, conclui.









