Como medir e gerenciar ações de sustentabilidade
Danilo Maeda, head da Beon, fala sobre a necessidade de um sistema de indicadores bem desenhado dentro das estratégias ESG das companhias
Uma boa gestão da estratégia de sustentabilidade é capaz de garantir a implementação de práticas que levam a organização a atingir os objetivos propostos na agenda ESG.
“Enquanto a estratégia determina qual direção seguir, a gestão permite acompanhar se o que foi planejado está acontecendo na prática e, se necessário, corrigir a rota para se adequar aos empecilhos e imprevistos que surgirem no caminho”, conta Danilo Maeda, head da Beon, consultoria de ESG do Grupo FSB. Ele destaca a importância e a utilidade dos relatórios de sustentabilidade como ferramentas de gestão, transparência e engajamento de stakeholders.
“Mais que uma mera obrigação, o processo deve ser entendido como uma oportunidade de promover melhorias internas e qualificar a relação com públicos estratégicos. Para funcionar, é necessário encontrar os indicadores adequados para medir o que se almeja, evitando distorções e métricas enganosas”, alerta Maeda, que aqui responde às principais dúvidas sobre esse sistema.
Valor Econômico: O que são os indicadores ESG?
Danilo Maeda: “São critérios utilizados para medir desempenho em temas relevantes para a organização. Por exemplo: para acompanhar o quanto uma empresa está reduzindo seu impacto nas mudanças climáticas, é indicado fazer um inventário de emissões de gases de efeito estufa e acompanhar indicadores como intensidade de emissões, emissões por volume produzido, emissões totais, esforços de redução, entre outros. Se o tema for diversidade, é indicado acompanhar a presença de grupos minorizados na organização como um todo e em camadas de liderança, razão salarial entre diferentes grupos e níveis hierárquicos, práticas de gestão de pessoas, além de uma série de critérios específicos. A mesma lógica se aplica a todos os demais temas que compõem essa ampla agenda.
Por que é importante ter um sistema de indicadores bem desenhado?
Danilo Maeda: O sistema de indicadores completo e desenhado reflete os temas mais relevantes de seu negócio e permite que a organização consiga tomar as melhores decisões, reduzir seus impactos negativos e alavancar sua geração de valor compartilhado.
Qual deve ser o primeiro passo para escolher os indicadores ESG da empresa?
Danilo Maeda: É preciso refletir sobre quais aspectos representam riscos, oportunidades ou impactos importantes no modelo de negócios e na cadeia de valor de cada organização ou setor. Sob a ótica da gestão empresarial, uma boa estratégia ESG é sinônimo de gestão de riscos e oportunidades com visão de longo prazo. Por isso, é necessário realizar uma avaliação completa sobre tendências ambientais, sociais e econômicas, das expectativas e demandas de stakeholders e sobre impactos no negócio. Estratégias ESG que adicionam valor real à empresa e seus stakeholders precisam de foco e senso de direção, expressos em uma boa avaliação de materialidade.
O que fazer depois de estabelecer quais temas devem ser medidos?
Danilo Maeda: Pensar em como medir esse desempenho e/ou impacto. Tendo em vista que as temáticas materiais tendem a ser diversificadas, é importante desenvolver um sistema de indicadores equilibrado, que consiga conciliar aspectos como precisão e simplicidade. Nem sempre é fácil medir resultados socioambientais. Mais difícil ainda é antecipar o potencial de impacto sobre o resultado financeiro da organização. Por outro lado, as métricas não podem ser complexas demais, sob risco de afetar o engajamento das pessoas envolvidas no processo.
O grau de complexidade do sistema de indicadores ESG deve ser adequado à complexidade do negócio?
Danilo Maeda: Sim. Empresas com modelos de negócio mais simples e impactos proporcionalmente menores podem medir um número reduzido de fatores que sejam relevantes em termos de riscos e oportunidades socioambientais. Conforme cresce a complexidade do negócio, a métrica utilizada deve se tornar mais sofisticada, para garantir que a medição esteja o mais próximo possível do impacto real. Para isso, um aconselhamento especializado, de quem conhece ferramentas e frameworks de avaliação, pode fazer toda diferença.
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