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Por Avenue

Atualizado

Anos de eleições presidenciais no Brasil costumam ser períodos de alta volatilidade para o investidor. Qualquer fala equivocada ou tropeço no comportamento dos candidatos podem provocar tsunâmis nos mercados: por vezes o dólar dispara e a bolsa desaba. Esse é um panorama muito diferente do observado nos Estados Unidos, onde a história e a própria performance econômica de 2024 mostram que anos eleitorais não causam efeitos negativos para o os mercados.

Um levantamento da gestora BlackRock revela que, em anos de eleições, a incerteza quanto aos rumos da política não é determinante para o desempenho das ações. A média da evolução dos papéis em períodos sem o pleito é de 10,3%, segundo o estudo, saltando para 11,6% em anos com disputas presidenciais. Ainda segundo a pesquisa, o retorno geral do S&P 500 no intervalo compreendido entre 1928 e 2020 foi de 10,2%, enquanto o retorno médio em anos eleitorais foi de 11,57%.

Para este ano, analistas da BlackRock estimam um aumento de 4% no lucro das ações ligadas ao S&P 500 — com exceção dos papéis das empresas de tecnologia, que podem subir mais — e de 14% em 2025, após terem registrado uma contração no ano passado. “Esperamos que a força dos lucros corporativos continue se ampliando além da tecnologia”, informa o relatório semanal da gestora publicado em 21 de outubro.

No mercado de bonds, olhando o desempenho histórico medido pelo Bloomberg US Aggregate Bond Index, tem-se que os títulos nunca deixaram de apresentar um resultado positivo em anos eleitorais para o comando do Executivo no país nos últimos 50 anos. “Nada garante que será assim neste ano, mas, em média, o índice indicou um retorno de 7% nos anos em que tivemos eleições”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Mercado americano de ações (S&P 500) — Foto: Getty Images
Mercado americano de ações (S&P 500) — Foto: Getty Images

Diversificação

A estabilidade e a surpreendente força dos ativos, mesmo em épocas de turbulência política como a vista neste ano, são um atrativo para aqueles que buscam diversificar suas carteiras atentando para as oportunidades no exterior.

O mercado americano de ações é, de longe, o maior do mundo, com cerca de US$ 50 trilhões em ativos — 50 vezes mais do que o Brasil, segundo dados da World Federation of Exchanges (Federação Mundial de Bolsas de Valores). Essa ampla gama de alternativas abre uma série de possibilidades de diversificação, aumentando as chances de rentabilidade. Por meio da Avenue, o cidadão brasileiro pode acessar com facilidade aproximadamente 8 mil ativos, incluindo ações, ETFs (exchange traded funds, fundos que têm como referência um índice da bolsa), REITs (real estate investment trusts, ou fundos imobiliários) e ADRs (american depositary receipts, os certificados de depósitos bancários).

“No exterior, há um ambiente de oferta de produtos mais diversos que ajudam a compor melhor a carteira”, afirma Alves. “O brasileiro tem passivos que já são dolarizados, então, nada melhor que equalizar essa conta com ativos que também o sejam.”

Na visão dos especialistas, alocar cerca de 30% da carteira no exterior seria suficiente para aproveitar as vantagens da diversificação. “É recomendável reduzir o risco de investimento em uma única área geográfica, que é suscetível a diversos vetores, não só externos, mas também internos”, observa Alves. “Se o dólar subir, parte da carteira será valorizada. Na outra ponta, os gastos com compras de produtos atrelados ao dólar aumentarão. O investidor, porém, ganhará na parte dos ativos, daí a importância da diversificação.”

Estabilidade

Segundo o estrategista, os Estados Unidos respondem atualmente por 25% do PIB mundial, e 60% das reservas globais dos bancos centrais estão em dólar. “Você tem uma parcela em ouro, em libra esterlina, em euro, mas 60% estão em dólar. Fora isso, o desempenho da bolsa nos Estados Unidos perpassa os diferentes presidentes.”

Para o executivo da Avenue, o mandato duplo do Federal Reserve (Fed), banco central do país, que persegue o controle da taxa de desemprego e da inflação, e a independência da SEC, comissão que regula o mercado de capitais, favorecem um ambiente de decisões pautadas por critérios técnicos e que não necessariamente sofrem a influência de governo A ou B. “Essa isenção faz a diferença e torna esse mercado de capitais bastante robusto, acessado pelo mundo inteiro”, afirma.

Em uma entrevista coletiva sobre as tendências para a economia americana realizada em junho deste ano, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou que o desempenho em 2024 tem se mostrado “extremamente bom” e tem sido impulsionado pela produtividade. “Não vemos sinais de enfraquecimento do interesse em investir na economia dos EUA”, disse ela. Segundo Georgieva, antes da pandemia de Covid-19, 18% de todo o capital mundial que procurava retorno além-fronteiras era destinado aos Estados Unidos, percentual que subiu para 33% neste ano. “Trinta e três por cento do dinheiro global que está em movimento vem para os EUA. Por que isso acontece? Devido ao forte desempenho da economia”, afirmou a executiva do FMI.

Quando em comparação com a zona do euro, por exemplo, o que se vê são três diferenças muito significativas, segundo ela. “Primeiro, uma economia impulsionada pela inovação e produtividade como fonte primária de crescimento. Segundo, independência e capacidade energética, especialmente quando se pensa em data centers e inteligência artificial. E, terceiro, a capacidade de aproveitar o trabalho, tanto em termos de fazer com que as pessoas voltem ao mercado quanto que mais mulheres trabalhem, e de ser um lugar atraente para pessoas de outros países virem.”

Renda fixa

Boa parte dos investimentos dos brasileiros no exterior atualmente tem como foco os títulos de dívida emitidos pelo Tesouro dos Estados Unidos, isso porque apresentam menor nível de volatilidade e prêmios que, em contexto histórico, se mostram elevados. Segundo o balanço de pagamentos do Banco Central, no primeiro semestre de 2024, os brasileiros aportaram US$ 9,3 bilhões em títulos americanos de renda fixa, nada menos que 165% acima do valor aplicado em igual período de 2023, quando somaram US$ 3,5 bilhões. Em reais, de janeiro a junho deste ano, o valor foi equivalente a R$ 52,9 bilhões, considerando a cotação da moeda americana a R$ 5,69, comparados a cerca de R$ 16,7 bilhões no primeiro semestre de 2023, com o dólar a R$ 4,78.

Os títulos de renda fixa dolarizados ajudam a diversificar a carteira de maneira conservadora e com previsibilidade de rentabilidade. Há de se observar, contudo, que esse investimento deve ser pensado como uma carteira, e não comouma substituição total dos ativos brasileiros.

Em resumo, segundo o estrategista da Avenue, não é errado dizer que o mercado é agnóstico em relação ao cenário político. “As estatísticas mostram que os números diferem pouco e, quando se trata de investimento, é importante colocar as preferências políticas de lado, porque o que realmente importa é deixar o poder de longo prazo incidir sobre os investimentos”, afirma Alves. “Tempo de mercado é muito mais importante que suas preferências políticas, não se esqueça disso.”

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